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Eleição americana: entenda e veja calendário das primárias

A corrida à Casa Branca deve mexer com o mercado financeiro em 2020; confira as etapas, datas e últimas pesquisas para ficar por dentro do pleito presidencial mais importante do mundo

Redação

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Eleição presidencial dos EUA acontece em 3 de novembro; antes, as primárias vão escolher os candidatos-Foto: Reprodução

As eleições presidenciais americanas devem mexer com o mercado financeiro durante todo 2020. Neste momento, as atenções estão voltadas para as primárias, uma espécie de eleição interna de cada um dos dois partidos-Republicano e Democrata, para definir quem será o candidato presidencial para o pleito deste ano, que acontece em 3 de novembro.

Enquanto o GOP (Grand Old Party, outro nome para o Partido Republicano) já tem definido virtualmente seu candidato à Presidência, o atual presidente e candidato à reeleição Donald Trump, os Democratas ainda contam com 13 pré-candidatos na corrida – sendo que pelo menos cinco deles têm chances de representarem o partido na próxima disputa eleitoral– Elizabeth Warren, Joe Biden, Bernie Sanders, Pete Buttigieg e Michael Bloomberg.

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No último levantamento realizado nesta sexta-feira (10), Sanders aparece como favorito para ganhar no Estado do Iowa, o primeiro a ter eleições primárias. Historicamente, quem vence as primárias dos democratas por lá é escolhido candidato.

Pela pesquisa para Iowa:

Sanders: 20% das intenções de voto
Warren: 17%
Buttigieg: 16%
Biden: 15%
Bloomberg: 1%

Como funcionam as primárias americanas

Cada um dos 50 estados decide qual sistema de votação será usado para a escolha dos candidatos à Presidência. O mais comum é a eleição primária, uma espécie de eleições internas do partido. Esta é a opção de 39 Estados americanos. Os votantes vão às urnas e escolhem seu candidato.

Da mesma forma que o pleito pela cadeira na Casa Branca, as primárias também não são feitas por votação direta. Os votos da população determinam quem os delegados (ativistas partidários, líderes políticos locais ou apoiadores de candidatos) irão defender para representá-los na corrida presidencial – isso é feito na convenção nacional do partido (tanto na dos democratas quanto na dos republicanos).

As convenções partidárias nacionais acontecem no verão (hemisfério norte), onde todos os delegados dos 50 estados se reúnem para escolher o candidato presidencial do partido.

A convenção dos Democratas acontecerá neste ano entre os dias 13 e 16 de julho; a dos Republicados, que é apenas uma mera formalidade para lançar Trump, entre 24 e 27 de agosto.

Alguns Estados têm primárias abertas, enquanto outros têm primárias fechadas.

Em uma primária aberta, qualquer eleitor, independentemente da filiação partidária, pode votar em candidatos democratas ou republicanos. Já numa primária fechada, apenas democratas podem votar em pré-candidatos democratas e apenas republicanos podem eleger republicanos.

Fora as primárias, há ainda outro sistema de votação para eleger os candidatos, chamado caucus (ou “convenção partidária”). Um dos mais famosos é o realizado no Estado de Iowa. Nele, os membros do partido se reúnem e discutem as razões para apoiar diferentes candidatos antes da votação começar.

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No caso do caucus, o processo de votação é mais complexo: os participantes se reúnem – em ginásios, bibliotecas, etc. – e discutem sobre qual candidato eles acreditam ser o melhor representante para o partido. Somente quando há um consenso, elege-se o candidato. Evidentemente, no segundo modelo o processo é mais demorado que no primeiro. Assim, é inevitável que as chamadas caucuses exijam maior ativismo político dos participantes, em comparação ao eleitor médio das primárias.

A distribuição de delegados por estado vai de acordo com seu tamanho populacional e, na grande maioria dos casos, os representantes devem votar no candidato pelo qual os eleitores escolheram votar – somente alguns têm passe livre para votar em quem quiserem na Convenção Nacional.

Uma das críticas a esse sistema eleitoral é que os estados privilegiados (que votam mais cedo) no calendário das primárias acabam por ter mais peso na decisão. Isto porque os primeiros delegados eleitos nesses locais já vão determinar um caminho provável para o desfecho das eleições, lembra Felipe Berenguer, analista político da Levante Investimentos.

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Nos EUA, como o voto não é obrigatório, tudo gira em torno da mobilização que o candidato levanta para que eleitores saiam de suas casas e exerçam seu direito de voto. Deste modo, tanto a arrecadação financeira dos candidatos quanto a mobilização dos voluntários de campanha são essenciais para o sucesso. Além disso, os debates televisivos têm especial peso na percepção de aprovação ou reprovação do candidato – números que influenciam diretamente a possibilidade do indivíduo sair para votar.

Desde a década de 1970, os candidatos democratas e republicanos à presidência têm construído suas estratégias de campanha em torno de Iowa, New Hampshire e outros estados que votam mais cedo. Uma posição sólida nessas regiões pode dar um impulso na longa e muitas vezes cansativa corrida para a indicação à presidência.

Em 1976, o então relativamente desconhecido governador da Georgia, Jimmy Carter, surpreendeu a imprensa e causou sensação ao vencer as prévias de Iowa. Depois, ele se tornou o candidato democrata e venceu a eleição presidencial.

Em 2008, poucos esperavam que o senador pelo Estado de Illinois, Barack Obama, fosse vencer a senadora por Nova York, Hillary Clinton, e se tornasse o candidato democrata. A campanha de Obama se centrou no caucus, enquanto a de Hillary focou nos estados que realizam primárias. Como consequência, o atual presidente conquistou Iowa, e sua campanha ganhou dinamismo. 

Os favoritos do mercado financeiro

Entre os democratas, o mercado financeiro prefere Joe Biden ou Michael Bloomberg. Pragmáticos e com bom relacionamento com o setor privado, os dois representariam um cenário bastante positivo ao enfrentar Trump. Já Bernie Sanders e Elizabetg Warren são vistos mais alinhados a pautas contrárias ao livre mercado.

Em pesquisa feita pela CNBC, antes de Bloomberg entrar na corrida, Trump foi eleito o preferido dos milionários americanos (36% das intenções de voto), seguido por Biden (14%) e Warren (8%).

Calendário das primárias: Iowa abre temporada em 3 de fevereiro

O Estado de Iowa é o primeiro a realizar votações para a escolha dos candidatos presidenciais, em 3 de fevereiro. Por lá, o processo será mais demorado, já que é pelo chamado caucus. Apenas quando houver consenso em torno de um candidato, a votação termina.

A seguir vem New Hamphire, em 11 de fevereiro. Veja abaixo o calendário das eleições americanas, com datas das primárias e das chamadas caucuses, das convenções nacionais dos Democratas e Republicanos e da eleição presidencial, além de comentário de Berenguer sobre as etapas mais importantes.

Fonte: Felipe Berenguer/Levante Investimentos

*Com agências

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