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Ibovespa deve chegar aos 150 mil pontos em 2020, estimam analistas e gestores

Índice de referência da B3, Bolsa de Valores brasileira, pode fechar o ano com nova alta na ordem de 30%: veja as projeções de 15 casas de análises e especialistas, além das justificativas para a valorização do indicador brasileiro

Bárbara Leite

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Ibovespa fechou 2019 com alta de 31,58%, o segundo melhor desempenho da década–Foto: Reprodução

Privatizações, novos IPOs (Ofertas Públicas Iniciais, na sigla em inglês), revisão em alta da nota de crédito do Brasil, agenda de reformas, fortalecimento do consumo, queda no desemprego, retomada do crescimento da economia, aumento dos investimentos e taxa básica de juros, a Selic, em patamares historicamente baixos em meio a um cenário externo mais favorável sustentam as expectativas de analistas e gestores de que o Ibovespa, índice de referência da B3 (Bolsa de Valores brasileira), depois de subir 31,58% em 2019, possa alcançar os 150 mil pontos no fim de 2020.

A projeção mais otimista– aposta da Mirae Asset, da Portofino Investimentos, da Mauá Capital e do famoso gestor da Alaska Asset, Henrique Bredda– representa uma alta de 29,7% em relação a 2019, quando o índice terminou nos 115.651 pontos, bateu 37 recordes e chegou a atingir 117.203 pontos, depois de ter iniciado o ano nos 76.462 pontos.

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Nas visões mais conservadoras, o avanço do Ibovespa deve ser de pelo menos 8%, o que o levaria para ao menos os 125 mil pontos no fim do ano (veja tabela abaixo com as projeções de 15 casas de análise e gestores para o Ibovespa no fim de 2020).

Agenda de reformas e IPOs

“Vejo 2020 com bastante otimismo. O governo brasileiro dá sinais de que vai seguir com uma agenda positiva e dar andamento nas reformas. Temos também um cenário externo bem favorável, com o governo americano fazendo de tudo para a economia seguir bem”, disse Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos.

Para os analistas da Mirae, Pedro Galdi e Fernando Prado, no melhor dos cenários, o Ibovespa pode atingir os 150 mil pontos no fim do ano, caso as reformas econômicas, como a administrativa e a tributária, avancem, o que deve aquecer a economia e elevar os resultados das empresas e o preço justo por ação, puxando sua valorização. Também novas ofertas de ações em Bolsas (IPOs e follow-ons (emissão de novas ações para empresas já cotadas na Bolsa)) devem atrair mais investidores e capital para a Bolsa em 2020, impulsionando o índice.

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Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais, lembra que a agenda de reformas é importante para o mercado de capitais brasileiro, mas elas precisam ocorrer até ao fim de julho. “Depois não haverá ambiente”, por conta das eleições municipais do país, avaliou.

Selic baixa e PIB em alta

“O rastro da crise econômica começa, enfim, a ficar para trás. 2019 foi um ano transformacional e acreditamos que 2020 será exponencial. Pela primeira vez vivemos um ciclo de baixa sustentável da taxa de juros no Brasil. A nossa perspectiva é de que isso não só se mantenha, mas surpreenda positivamente e impulsione a economia, que deve finalmente crescer acima de 2%”, destaca a equipe de análise da XP Investimentos, que projeta o Ibovespa nos 140 mil pontos no fim deste ano.

Os sucessivos cortes na Selic–foram quatro de 0,50 ponto percentual em 2019, deixando a taxa em 4,50% ao ano, a menor da história–, têm incentivado o investidor a procurar outras alternativas, fora da renda fixa, que tem ganhos menores com a queda dos juros.

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A expectativa do Banco Modalmais também é que a retomada cíclica da economia impulsione o mercado de ações. De acordo com Felipe Sichel, estrategista do banco de investimentos digital, a recuperação da economia deve ser “amparada pelo fortalecimento do consumo das famílias e melhora no investimentos ante um ambiente de juros baixos e avanço das reformas. Ao mesmo tempo, a inflação seguirá bem comportada, seguindo as expectativas bem ancoradas e dissipação dos choques no preço de carnes do final de 2019”.

Lucro das empresas

Segundo Bredda, cultuado gestor no Twitter e celebrado por ter acertado a projeção de 115 mil pontos para o fechamento Ibovespa 2019, o índice da Bolsa brasileira vai subir por conta do aumento dos lucros das empresas, e sua valorização independe de fatores considerados de risco pelo mercado financeiro em geral como a eleição presidencial americana, prevista para novembro.

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“Bolsa responde ao aumento do lucro das empresas que estão em Bolsa. A Bolsa não se importa … se o Trump vai ganhar. Bolsa é lucro das empresas”, escreveu Bredda, recentemente em sua conta no Twitter.

Os estrategistas do banco Santander, que preveem que o Ibovespa termine 2020 em 135 mil pontos, também entendem que o aumento do lucro por ação das empresas será um grande fator para a alta do índice. Eles veem 77% das empresas com uma receita acima da inflação, 76% com margens crescentes de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) e 72% com margens líquidas mais altas. Isso por conta de menores despesas financeiras, menor alavancagem corporativa e melhor alavancagem operacional.

Melhora da nota de crédito do Brasil

A expectativa de melhora da nota de crédito do Brasil por agências de classificação de risco também é vista como um fator que pode atrair capital estrangeiro e ajudar a puxar o Ibovespa.

No fim do ano passado, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) revisou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de estável para positiva. O rating brasileiro permanece em BB-, a três degraus do grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador, que tende a atrair investidores estrangeiros ao país.

A agência justificou a decisão de melhorar a perspectiva brasileira diante da aprovação da reforma da Previdência, da expectativa do avanço de outras medidas fiscais e de um crescimento mais acelerado, o que pode “melhorar a posição fiscal do Brasil no médio prazo”.

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De acordo com Jason Vieira, gestor da Infinity Asset, é possível que sobre o grau de investimento “sinais surjam a partir de 2020 e estes mesmos sinais devem garantir efeitos inerciais para o ano”.

“A tendência (maior apetite por ativos de maior risco como as ações) pode se fortalecer com o retorno dos investidores estrangeiros, porém não devemos cair no ânimo excessivo do mercado financeiro, pois 2020 tende a ser um ano bom, mas deve continuar a colecionar percalços”, disse Vieira, em comentário feito ainda em 2019, antes da recente tensão entre EUA e Irã, que pesou no início dos negócios da Bolsa em 2020.

Riscos: eleição americana e frustração com PIB

Nuno Sampaio, sócio da Kapitalo Investimentos, entende que a eleição presidencial americana pode trazer incertezas aos mercados financeiros neste ano. “Trump vai concorrer e não sabemos quem será o adversário e isso faz toda a diferença”, afirmou Sampaio.

Também a frustração com o crescimento da economia brasileira é outro risco ao desempenho do Ibovespa neste ano, diz.

Veja as projeções de 15 casas de análise e gestores para o Ibovespa em 2020:

InstituiçãoProjeção para 2020 (em pontos)Potencial de valorização*
Bank of America130 mil12,41%
BB Investimentos130 mil12,41%
Bradesco BBI139 mil20,20%
BTG Pactual134 mil15,9%
Eleven Financial138 mil19,33%
Henrique Bredda, gestor do Alaska Asset150 mil29,7%
Itaú BBA132 mil14,14%
JP Morgan126 mil8,95%
Mauá Capital150 mil29,7%
Mirae Asset**150 mil29,7%
Morgan Stanley125 mil8,09%
Novus Capital130 mil12,41%
Portofino Investimentos150 mil29,7%
Santander135 mil16,74%
XP Investimentos140 mil21,06%
Fontes: Corretoras, bancos e gestoras de investimentos *em relação ao fechamento de 30 de dezembro de 2019, a 115.645 pontos **projeção mais otimista

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