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Com carne como vilã, inflação de 2019 surpreende e bate centro da meta oficial

Segundo o IBGE, pela 1ª vez desde 2016, o IPCA rompe o valor médio do objetivo perseguido pelo governo; com exportações para a China e dólar alto, preço da carne sobe 32,4% e leva IPCA a variar 4,31% no acumulado de 12 meses em 2019; em dezembro, índice de preços teve a maior alta para o mês em 17 anos e o salto mais intenso desde a greve dos caminhoneiros

Bárbara Leite

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Preços de alimentos e bebidas pesaram no bolso da população no ano passado - Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), surpreendeu e fechou 2019 em 4,31%, batendo o centro da meta oficial perseguida pelo governo (que é de 4,25%) pela primeira vez desde 2016. O grande vilão foi o preço da carne, que subiu 32,4% no ano e 18,06% apenas em dezembro, e deixou a inflação de dezembro com a maior alta para o mês em 17 anos. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (10). 

Os analistas já esperavam que a inflação acelerasse em dezembro, mas não tanto. No mês, o IPCA subiu 1,15%, contra os 1,08% esperados pelos economistas ouvidos pela Reuters. Também foi a maior alta desde junho de 2018, quando a inflação foi impactada pela greve dos caminhoneiros.

Em novembro de 2019, a inflação havia variado 0,51% e em dezembro de 2018, 0,15%. Em 2018, o IPCA acumulado em 12 meses foi de 3,75%.

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O grupo alimentação e bebidas apresentou a maior variação no último mês de 2019, 3,38%, e o maior impacto na inflação entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados. 

“Outras altas foram observadas no mês, com destaque para os combustíveis (3,57%) e as passagens áreas, que subiram de 4,35% em novembro para 15,62% em dezembro. Os jogos de azar (12,88%) também impactaram a inflação de dezembro, em função do reajuste nos preços das apostas, vigente desde novembro”, disse o gerente do IPCA, Pedro Kislanov, em nota.

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Também os alimentos foram os que mais pesaram no bolso do brasileiro e levaram o IPCA a furar o centro da meta. no ano passado. Em 2019, a alimentação ficou, em média, 6,37% mais cara, puxada, sobretudo, pelas carnes, cujos preços dispararam no mercado interno devido ao aumento das exportações para a China e à alta do dólar.

“O destaque ficou com as carnes, cuja variação acumulada no ano foi de 32,40%, com a maior parte do aumento nos preços concentrada no último bimestre (27,61%)”, afirmou Kislanov.

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“A alimentação fora do domicílio também influenciou o índice, em função do aumento das carnes”, acrescentou. De acordo com o IBGE, a refeição fora encareceu 3,14% no ano passado (Veja abaixo os principais vilões da alimentação em 2019)

IPCA – Alimentação – Principais altas em 2019
Item20182019
Variação (%)Variação (%)
Carnes2,2532,40
Refeição fora2,383,14
Lanche fora4,356,04
Feijão-carioca4,5555,99
Frutas14,107,25
Frango inteiro4,0812,21
Frango em pedaços6,4415,26
Leite longa vida8,436,05
Carnes industrializadas0,355,24
Ovos-4,0314,73
Alho-10,8133,50
Óleo de soja-0,518,81
Fonte: IBGE

Planos de saúde também pesam no bolso em 2019

Além das carnes, no ano, pesou também a alta nos planos de saúde (8,24%), por conta do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE em 2019, somente artigos de residência tiveram deflação, de 0,36%. 

Os preços da habitação subiram 3,9%, vestuário com alta de 0,74%, transportes avançaram 3,57%, saúde e cuidados pessoais cresceram 5,41%, assim como despesas pessoais, com 4,67%, educação, com 4,75%, e comunicação, com 1,07%.

Belém tem a maior inflação do país

Por Estados, a maior inflação do Brasil em 2019 foi em Belém, com variação de 5,51% influenciada pelo preço da carne.

Fortaleza vem logo em seguida, com 5,01%, enquanto Campo Grande teve 4,65%, São Paulo aumentou 4,60% e Goiânia 4,37%. No Rio, a alta foi de 4,05%.

Selic: cautela

Diante do cenário de inflação fraca, o Banco Central reduziu em dezembro a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto pela quarta vez consecutiva, deixando-a em 4,5% ao ano, menor nível da história.

Diante da disparada do preço da carne e possível impacto do dólar alto, o BC indicou cautela nas decisões para 2020, tanto que a maioria dos analistas passou a orever que a taxa não deve sofrer mais nenhuma baixa em 2020.

O Top5, grupo dos analistas que mais acertam as projeções, ainda previa uma baixa de 0,25 ponto, para 4,25% ao ano. O dado do IBGE desta sexta pode levar à revisão dessa aposta.

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