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#Conexão Portugal: investimentos de brasileiros em imóveis disparam 83% em 2 anos

Em busca de segurança e melhor qualidade de vida, cidadãos estão deixando o Brasil e optando por morar na “terrinha”, que atraiu R$ 5,6 bilhões para o setor imobiliário no último ano, segundo o BC; veja por que o país está na moda e é a preferência nacional

Bárbara Leite

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Casa no Belas Clube de Campo: condomínio fez "road show" no Brasil para atrair o brasileiro que quer morar em Portugal–Foto: Divulgação

Em busca de segurança e melhor qualidade de vida, cada vez mais brasileiros fazem as malas e embarcam para morar em Portugal. Em dois anos, os investimentos de brasileiros em imóveis na “terrinha” dispararam 82,7%, passando de US$ 738 milhões (R$ 3,070 bilhões) em 2016 para US$ 1,348 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em 2018, de acordo com os últimos dados disponíveis pelo Banco Central (BC). (veja tabela abaixo)

Embora ainda sem dados oficiais da autoridade monetária, a percepção é que esse volume deve crescer em 2019, já que indicadores divulgados por entidades portuguesas e brasileiras revelam o aumento dos brasileiros no país europeu neste ano.

De acordo com o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal), de janeiro a setembro deste ano, Portugal concedeu 176 vistos gold a brasileiros, documento que dá direito a residência no país europeu mediante investimento, que tem sido feito preferencialmente em imóveis. Foram desembolsados € 132,6 milhões (R$ 610 milhões) nos primeiros nove meses de 2019 pelos brasileiros, mais 46,5% que um ano antes.

Já a Receita Federal informou que recebeu, até julho, 21,8 mil declarações de brasileiros saindo definitivamente do Brasil, 94% do total de declarações registradas em todo o ano passado, que já havia sido recorde, com 23.149 comunicados.

A onda migratória de brasileiros vem tomando corpo desde 2016, quando a crise política e econômica se agravou e houve o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

A comunidade brasileira em Portugal é a maior de estrangeiros no país, e somava 105.423 cidadãos em 2018, dados mais recentes disponíveis. Isso sem considerar as pessoas com dupla nacionalidade ou com outra nacionalidade europeia. Estima-se que sejam 220 mil brasileiros morando em Portugal.

Investimentos em imóveis na “terrinha” disparam:

AnoInvestimentos de brasileiros em imóveis em Portugal (em US$ milhões)
2007136
2008116
2009143
2010160
2011194
2012252
2013368
2014533
2015570
2016738
20171065
20181348

Fonte: Banco Central do Brasil

‘Portugal está na moda’

Portugal está entre os países mais procurados por brasileiros que estão “fugindo” do Brasil para morar na Europa, seja pela ligação histórica que têm com o país, pela facilidade do idioma ou pelas novas “vantagens” reconhecidas no país.

“Portugal está na moda”, disse Bruno Martins, diretor de vendas do Belas Clube de Campo, condomínio fechado do grupo André Jordan (considerado o “pai” do imobiliário português), que já tem 800 famílias morando de 30 nacionalidades diferentes. Junto com outros executivos do grupo, Martins realizou um “road-show” por seis cidades do país, entre elas, São Paulo e Rio, para apresentar, aos brasileiros que querem se fixar em Portugal, a nova fase do megaempreendimento, o Lisbon Green Valley, que fica a 15 minutos de Lisboa.

Martins destacou várias pesquisas que mostram por que Portugal é a “queridinha da Europa”: Lisboa é a 2ª melhor cidade do mundo para se viver, segundo o “Financial Times”, e o país foi considerado pelo Instituto para Economia e Paz como o terceiro mais pacífico do mundo, só atrás da Islândia e Nova Zelândia.

O diretor do grupo André Jordan referiu ainda outro atrativo de Lisboa: o preço do metro quadrado é o mais barato da Europa: são € 3.800 (R$ 17,5 mil) contra € 6.800 (R$ 31.280) na média europeia. Para se ter um efeito de comparação, os valores da capital portuguesa estão na faixa dos cobrados por imóveis de alto padrão no Rio de Janeiro.

Além disso, há ainda os juros baixos do crédito imobiliário na faixa de 2% ao ano–bem abaixo dos nossos mínimos, que agora são de 6,75% ao ano (oferecidos pela Caixa).

Também lembrou que as escolas, mesmo as públicas, ensinam obrigatoriamente dois idiomas estrangeiros, e que as mensalidades no ensino privado estão bem abaixo dos valores brasileiros.

A tributação mais baixa em relação ao resto da Europa é outra das “vantagens” do país.

“Segurança e qualidade de vida é o que Portugal tem a oferecer”, afirmou Martins.

Fuga da violência e tempo para estar em família

Bondinho em Lisboa: capital portuguesa foi considerada a segunda melhor cidade do mundo para se viver pelo “Financial Times”–Foto: Reprodução

A situação política e econômica cada vez mais complicada no Brasil e o aumento da violência explicam o salto na emigração brasileira. Ana de Gregório, especialista em contratos internacionais do escritório Godke Advogados, que mora em Portugal há 11 anos, diz que saiu do Brasil por conta da insegurança.

“No Brasil, meu filho não andava na rua sozinho. Estava ‘engaiolado’ na escola em período integral e no condomínio. Aqui ele anda tranquilamente na rua”, afirmou Ana.

Segundo a advogada, em Portugal tem mais tempo para estar com a família. “Aqui é todo mundo mais feliz, todo o mundo leva uma vida mais modesta, não se acha mão de obra para trabalhar em casa como no Brasil, mas isso faz a gente se aproximar da família. A gente consegue mais tempo para estar juntos. O paulistano não tem tempo. Família só ao fim de semana. A gente aqui encontra tempo. É outro ritmo”, disse Ana.

Além disso, ela também destacou o fato das escolas públicas serem “excelentes” e as privadas serem mais em conta do que as brasileiras. “Uma escola internacional custa € 500 ( R$ 2,3 mil) por mês. Para quem pagava R$ 8 mil no Brasil, é um valor razoável”.

Incentivos

Alguns brasileiros vêm aproveitando os incentivos oferecidos pelo país desde 2012. Um ano depois de buscar um resgate internacional o país começou a oferecer os vistos gold, de residência para não europeus que comprassem imóveis, investissem em fundos, pesquisa cientifica ou produção artística, por exemplo, no valor de mais de € 500 mil (R$ 2,3 milhões).

Mas também valem investimentos no valor igual ou superior a € 350 mil (R$ 1,610 milhão) em imóveis construídos há pelo menos 30 anos ou que estejam localizados em área de reabilitação urbana e passem por obras.

Entre outros tipos de vistos, há os chamados D7, concedidos a aposentados ou titulares de rendimentos próprios, que ganham status de residentes e isenção de tributação sobre esses rendimentos ou pensões obtidos fora de Portugal, desde que já tenham sido tributados no país de origem. Ou seja, é possível se aposentar e viver em Portugal com o salário do Brasil, evitando a bitributação.

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