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Na expectativa com ‘Super Terça’ e EUA-China, Ibovespa bate recorde histórico

Índice da Bolsa brasileira sobe 1,23% e termina nos 106.022 pontos, o maior patamar de fechamento na era do Real; antecipação da aprovação da reforma da Previdência e sinais de trégua da guerra comercial ajudaram a animar o mercado nesta segunda, dia 21

Bárbara Leite

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Ibovespa termina acima dos 106 mil pontos pela primeira vez na história–Foto: Pablo Spyer, da Mirae Asset

 O Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, fechou com alta de 1,23% nesta segunda-feira (21) e bateu novo recorde histórico ao terminar nos 106.022 pontos. O indicador superou o anterior maior patamar alcançado na era do Plano Real, que era de 105.817 pontos, atingido em 10 de julho. Neste pregão, outra novidade é que o indicador ultrapassou, pela primeira vez na história, a marca dos 106 mil pontos.

A alta foi sustentada pela expectativa de uma trégua na guerra comercial entre EUA e China, depois das declarações do vice-primeiro ministro chinês, Liu He, neste sábado (19) de que a China vai voltar a trabalhar em conjunto com Washington para acertar a primeira fase do acordo.

“Os dois lados fizeram progressos substanciais em muitos campos, estabelecendo uma base importante para a assinatura de um acordo em fases ”, disse Liu, o principal negociador chinês nas negociações comerciais com os EUA, em uma conferência de realidade virtual em Nanchang, capital da província de Jiangxi, sudeste do país.

Leia também: Em 16 anos, Ibovespa emendou 7 altas consecutivas apenas em 8 vezes

“Parar a escalada da guerra comercial beneficia a China, os EUA e o mundo inteiro. É o que produtores e consumidores esperam “, disse Liu em um raro discurso público sobre a guerra comercial.

Os dois países chegaram à primeira fase do acordo comercial há duas semanas, mas surgiram dúvidas se as negociações estavam mesmo avançando. Nesta fase, a China se comprometeu a comprar entre US$ 40 e US$ 50 bilhões em produtos agrícolas americanos, entre outros itens.

O ânimo prosseguiu nesta segunda-feira ( 21), depois que o secretário Larry Kudlow, assessor econômico da Casa Branca, disse que o aumento das tarifas sobre produtos chineses, previstas para dezembro, pode ser suspenso.

Brexit: menos chances de uma saída brusca

Do outro lado do Atlântico, o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), segue indefinido, mas os investidores, após duas negativas do Parlamento britânico–no sábado e nesta segunda– para votação do acordo de “divórcio” do país com o bloco europeu, estão vendo que há menos chances de um Brexit sem acordo, o que poderia gerar caos financeiro global.

A tentativa de Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, de votar o acordo costurado por ele na última quinta-feira com a UE e sair do bloco em 31 de outubro foi frustrada novamente nesta segunda, uma vez que o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow,  nem colocou o acordo em votação. Ele vai tentar de novo nesta terça, mas deve sair derrotado. Com isso, terá de se render ao cronograma apertado e aceitar uma prorrogação do prazo para o país deixar a UE.

Reforma da Previdência: expectativa de aprovação

De acordo com o analista da Terra Investimentos Régis Chinchila, a alta do Ibovespa pode ter sido impulsionada por fatores políticos, principalmente pela antecipação à votação do segundo turno da reforma da Previdência no Senado. Nesta terça-feira (22) é esperada a conclusão da aprovação da reforma da Previdência, que deve gerar, ao menos, R$ 800 bilhões de economia aos cofres públicos em dez anos, medida vista como essencial para o equilíbrio das contas públicas e retomada do crescimento econômico sustentável.

“A grande notícia do dia é que amanhã será uma ‘Super Terça’ no Brasil, quando vai ser votada a reforma da Previdência em segundo turno no Senado. É extremamente importante. É o dia mais importante do ano para o Brasil. Estamos esperando esse dia há 14 meses”, disse Pablo Syper, diretor de operações da Mirae Asset e colunista do Economia Bárbara.

O CDS de cinco anos (medida de risco-país), que opera abaixo dos 130 pontos base, já precifica de forma antecipada a aprovação em segundo turno da reforma da Previdência.

PSL: imbróglio desfeito

Também os ruídos políticos, que poderiam respingar na aprovação da reforma previdenciária, foram desfeitos nesta segunda. A liderança do governo na Câmara apresentou nova lista pró-Eduardo Bolsonaro, que foi aceito pela mesa diretora da Câmara. O Delegado Waldir (PSL-GO), líder do PSL na Câmara, que ameaçou “implodir” Jair Bolsonaro na semana passada, cedeu a liderança para o filho do presidente.

Expectativas com balanços

O bom humor também pode ser explicado pelas expectativas otimistas em torno dos balanços dos resultados do terceiro trimestre da Petrobras e Vale, que saem ao longo desta semana, segundo relatório da Guide Investimentos.

A petrolífera também se beneficiou com a notícia de que ficaria com um valor entre US$ 25 bilhões a US$ 45 bilhões, ou R$103 bilhões a R$186 bilhões do total na distribuição dos recursos do megaleilão do pré-sal de 6 de novembro, a chamada cessão onerosa. Inicialmente o projetado era que ela recebesse R$ 34 bilhões.

Veja as ações que mais subiram e caíram nesta segunda-feira

As ações da YDUQS, ex-Estácio, subiram 4,36%, e ficaram na vice-liderança das maiores valorizações do Ibovespa. Pela manhã, a empresa de educação confirmou a compra das operações do grupo Adtalem Brasil, dono das marcas como o Ibmec, Wyden e Damasio Educacional.

Leia também: YDUQS compra dona do Ibmec por R$ 1,92 bilhão

Os papéis com maior valorização foram os da Qualicorp e da BRF, com altas de 5,27% e 4,43%, respectivamente. O frigorífico recuperou partes das perdas de 2,56% da semana passada.

A Smiles, programa de fidelidade da Gol, teve a maior queda percentual da sessão após sua principal concorrente, a Multiplus, confirmar nesta segunda, a unificação dos programas de fidelidade da Latam na América Latina.

Principais altas:

Qualicorp (QUAL3): R$ 32,00 (+5,27%)
BRF (BRFS3): R$ 37,75 (+4,43%)
YDUQS (YDUQ3):R$ 40,00 (+4,36%)
Instituto de Resseguros do Brasil (IRBR3): R$ 38,65 (+3,73%)

Principais baixas:

Smiles (SMLS3) R$ 36,97 (-1,73%)
Kroton (COGN3): R$ 10,61 (-1,30%)
Hypera (HYPE3): R$ 34,43 (-1,26%)
Marfrig (MRFG3): R$ 11,55 (-0,86%)

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