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Guerra comercial EUA-China tem 1ª trégua nesta 4ª mas volatilidade deve permanecer

Após 18 meses de disputas comerciais, as duas potências vão assinar a ‘fase 1’ do acordo comercial, mas analistas consideram que a conciliação ainda é frágil; declarações de Mnuchin e notícias da Bloomberg e da Reuters ‘ofuscam’ alcance do pacto e geram cautela

Bárbara Leite

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Guerra comercial entre EUA e China com troca de imposição de tarifas vem penalizando a economia mundial–Foto: Reprodução

Chegou o dia da assinatura do acordo parcial entre EUA e China, a primeira trégua em 18 meses de guerra comercial, que abalou a economia mundial, mas analistas consideram que a conciliação ainda é frágil e a volatilidade no mercado financeiro deve continuar.

Pelas 13h30 (horário de Brasília), o documento de 86 páginas deverá ser assinado durante cerimônia na Casa Branca com a presença de vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, o principal negociador chinês do acordo, que é o resultado de um compromisso limitado entre Washington e Pequim, no momento em que os dois países temem as consequências econômicas e financeiras de uma prolongada guerra comercial.

A expectativa por detalhes reduz o ímpeto dos negócios no exterior, depois da notícia da Bloomberg e das declarações do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, na véspera.

Mnuchin disse que o acordo não anula a maior parte das taxas punitivas impostas pelos EUA sobre US$ 360 bilhões de produtos importados da China, que deve permanecer até que à segunda etapa do acordo comercial. “Se o presidente (Trump) conseguir a fase 2 rapidamente, ele considerará liberar tarifas”, afirmou a jornalistas.

A Bloomberg informou que as tarifas devem continuar ao menos até às eleições presidenciais, em 3 de novembro.

“Ainda estamos presos a essas tarifas, que são um obstáculo ao crescimento do comércio e da manufatura”, disse Peter Boockvar, diretor de investimentos do Bleakley Advisory Group.

Para a analista da unidade de investigação Rand Corporation , Ali Wyne, citada pelo jornal Financial Times, “a assinatura dessa trégua, apesar de ser bem-vinda, não muda a realidade de que os dois países estão em posições cada vez mais antagônicas”.

“Washington considera a ascensão econômica de Pequim uma ameaça à segurança do país e à dos aliados e parceiros. Enquanto isso, Pequim considera como fundamentais a aceleração da inovação local e a abertura de mercados de exportação alternativos”, afirmou.

Também “ofusca” a trégua o fato dos EUA estarem preparando uma legislação que atinge a tecnológica chinesa Huawei. De acordo a agência Reuters, a legislação que está ainda em fase de “rascunho” prevê que o Departamento do Comércio tenha o poder de bloquear exportações para a Huawei desde que os componentes de origem americana constituam mais de 10% do valor final do produto.

O que se sabe do acordo ‘fase 1’

Os detalhes do acordo serão anunciados nesta quarta, mas o que se sabe é que o acordo deve reduzir de 15% para 7,5% as sobretaxas sobre US$ 120 bilhões em produtos chineses e a adiar a imposição de novas tarifas dos EUA sobre itens chineses.

Em contrapartida, Pequim se comprometeria em elevar as compras de bens e serviços dos EUA, consumindo ao menos US$ 200 bilhões de produtos “Made in America” nos próximos dois anos. Desse total, entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões referem-se a itens agrícolas. Com isso, o déficit americano com a China deve diminuir.

Ao mesmo tempo, a China se compromete a não manipular o valor da moeda ou a proteger a propriedade intelectual das empresas americanas.

Nesta terça (14), véspera da assinatura do acordo, o Departamento do Tesouro americano retirou a designação da China como país manipulador de moeda, implementada quando as tensões aumentaram em agosto passado.

O anúncio foi feito exatamente quando Liu He desembarcou em Washington.

*Com Bula do Mercado e CNBC

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