Chegou o dia da assinatura do acordo parcial entre EUA e China, a primeira trégua em 18 meses de guerra comercial, que abalou a economia mundial, mas analistas consideram que a conciliação ainda é frágil e a volatilidade no mercado financeiro deve continuar.
Pelas 13h30 (horário de Brasília), o documento de 86 páginas deverá ser assinado durante cerimônia na Casa Branca com a presença de vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, o principal negociador chinês do acordo, que é o resultado de um compromisso limitado entre Washington e Pequim, no momento em que os dois países temem as consequências econômicas e financeiras de uma prolongada guerra comercial.
A expectativa por detalhes reduz o ímpeto dos negócios no exterior, depois da notícia da Bloomberg e das declarações do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, na véspera.
Mnuchin disse que o acordo não anula a maior parte das taxas punitivas impostas pelos EUA sobre US$ 360 bilhões de produtos importados da China, que deve permanecer até que à segunda etapa do acordo comercial. “Se o presidente (Trump) conseguir a fase 2 rapidamente, ele considerará liberar tarifas”, afirmou a jornalistas.
A Bloomberg informou que as tarifas devem continuar ao menos até às eleições presidenciais, em 3 de novembro.
“Ainda estamos presos a essas tarifas, que são um obstáculo ao crescimento do comércio e da manufatura”, disse Peter Boockvar, diretor de investimentos do Bleakley Advisory Group.
Para a analista da unidade de investigação Rand Corporation , Ali Wyne, citada pelo jornal Financial Times, “a assinatura dessa trégua, apesar de ser bem-vinda, não muda a realidade de que os dois países estão em posições cada vez mais antagônicas”.
“Washington considera a ascensão econômica de Pequim uma ameaça à segurança do país e à dos aliados e parceiros. Enquanto isso, Pequim considera como fundamentais a aceleração da inovação local e a abertura de mercados de exportação alternativos”, afirmou.
Também “ofusca” a trégua o fato dos EUA estarem preparando uma legislação que atinge a tecnológica chinesa Huawei. De acordo a agência Reuters, a legislação que está ainda em fase de “rascunho” prevê que o Departamento do Comércio tenha o poder de bloquear exportações para a Huawei desde que os componentes de origem americana constituam mais de 10% do valor final do produto.
O que se sabe do acordo ‘fase 1’
Os detalhes do acordo serão anunciados nesta quarta, mas o que se sabe é que o acordo deve reduzir de 15% para 7,5% as sobretaxas sobre US$ 120 bilhões em produtos chineses e a adiar a imposição de novas tarifas dos EUA sobre itens chineses.
Em contrapartida, Pequim se comprometeria em elevar as compras de bens e serviços dos EUA, consumindo ao menos US$ 200 bilhões de produtos “Made in America” nos próximos dois anos. Desse total, entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões referem-se a itens agrícolas. Com isso, o déficit americano com a China deve diminuir.
Ao mesmo tempo, a China se compromete a não manipular o valor da moeda ou a proteger a propriedade intelectual das empresas americanas.
Nesta terça (14), véspera da assinatura do acordo, o Departamento do Tesouro americano retirou a designação da China como país manipulador de moeda, implementada quando as tensões aumentaram em agosto passado.
O anúncio foi feito exatamente quando Liu He desembarcou em Washington.
*Com Bula do Mercado e CNBC