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Apesar de anúncio da China, dólar sobe com novo leilão do pré-sal sem estrangeiras

Moeda americana, que chegou a cair 0,90% com avanços para o fim da guerra comercial, virou com o resultado da 6ª Rodada de Partilha do Pré-Sal, que não atraiu interesse de empresas de fora, como aconteceu com a licitação da cessão onerosa da véspera

Bárbara Leite

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Moeda americana teve maior alta em sete meses na véspera com frustração do megaleilão da cessão onerosa–Foto: Pixabay

(Publicada às 12h23; atualizada às 17h40)

O dólar iniciou os negócios nesta quinta-feira (7) em queda, depois de registrar, na véspera, a maior alta diária em sete meses, com o mercado reagindo positivamente ao anúncio do Ministério do Comércio chinês. Mas a meio da manhã, o resultado do novo leilão do pré-sal, realizado na manhã desta quinta-feira (7), que não atraiu, de novo, empresas estrangeiras, fez a moeda virar e fechar em alta.

No fechamento, a divisa dos EUA ficou nos R$ 4,093, com alta de 0,29% em relação ao pregão anterior, quando o dólar saltou 2,22% para R$ 4,083, com a frustração dos investidores em relação à participação de empresas estrangeiras no megaleilão do pré-sal, realizado nesta quarta-feira (6). Na abertura dos negócios, a moeda americana chegou a cair 0,90%.

Nesta quinta-feira (7), o motivo para a valorização do dólar foi o mesmo: a fraca participação das estrangeiras impacta as expectativas do mercado, que esperava uma forte entrada de dólares no país por conta dos leilões do pré-sal. Sem estrangeiras, esses dólares não vão entrar conforme esperado.

“O dólar diminuiu a queda depois que a Petrobras ficou com 80% do 1º bloco do leilão de partilha do pré-sal. Não teve ágio e, de novo, não houve interesse de empresas de fora. Os restantes blocos não tiveram interessados, e isso levantou o dólar, explica Pablo Syper, diretor de operações da Mirae Asset e colunista do Economia Bárbara, que entende que a “força do dólar não se dá por falta de confiança no país, mas, de novo, por razões técnicas”.

6º rodada de partilha: resultado repete megaleilão de 4ª

Um dia depois de realizar o maior leilão da história, da cessão onerosa, que gerou arrecadação de R$ 69,96 bilhões, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fez mais um certame, a 6ª Rodada de Partilha de blocos do pré-sal, nesta quinta-feira (7), e o resultado repetiu a licitação da véspera.

Das cinco áreas em oferta, quatro na Bacia de Santos e uma na Bacia de Campos, apenas uma, Aram (a maior), foi arrematada, pelo consórcio formado pela Petrobras em 80% e a chinesa CNODC, uma das parceiras da estatal no bloco de Búzios (o mais atraente do leilão da véspera) com os restantes 20%.

Na véspera, eles se juntaram à também chinesa CNOOC para comprar Búzios por R$ 38,199 bilhões.

Pelo bloco de Aram, as empresas vão pagar os R$ 5,5 bilhões fixados no edital e o percentual mínimo exigido de lucro/óleo (o que a nova empresa vai lucrar após pagamento de custos de produção e royalties), que era de 29,96%. Os investimentos previstos são de R$ 278 milhões. 

As restantes quatro áreas: Bumerangue (R$ 550 milhões de bônus e 26,68% de óleo lucro); Cruzeiro do Sul (R$ 1,15 bilhão e 29,52%); Sudoeste de Sagitário (R$ 500 milhões e 26,09%); e Norte de Brava, na Bacia de Campos (R$ 600 milhões e mínimo de 36,98%) não tiveram ofertas nem mesmo da Petrobras.

Ao abrir o leilão, o diretor geral da ANP, Décio Oddone, afirmou que a era do altos bônus de assinatura está acabando. “Vamos passar para uma fase na qual a produção de petróleo nos blocos vai começar a fluir. Estamos deixando para trás a era dos bônus bilionários”, destacou.

China-EUA: tarifas serão removidas por etapas

O dólar foi penalizado apesar da boa notícia em relação à guerra comercial entre EUA e China. Segundo informou o Ministério do Comércio chinês, nesta quinta, a China e os EUA concordaram em remover as atuais tarifas impostas a importações um do outro em etapas.

“Isso foi o que (os dois lados) concordaram fazer, após negociações cuidadosas e construtivas nas duas últimas semanas”, disse o porta-voz do ministério, Gao Feng.

Se a chamada “fase 1” de um acordo comercial preliminar for assinada, China e EUA irão remover as tarifas simultaneamente e em valores iguais, disse Gao, enfatizando que essa é uma importante precondição para um pacto.

“A guerra comercial começou com o aumento de tarifas e deverá terminar com a remoção de todas as tarifas”, comentou o porta-voz. Gao disse também que ainda não foi definido quando e onde o eventual acordo poderá será assinado.

A guerra comercial entre as duas potências, que começou em 2018, vem desacelerando as economias mundiais.

*Com Dow Jones

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