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Ibovespa bate novo recorde: entenda as altas da Petrobras e da Usiminas

Índice fechou acima dos 109 mil pontos pela primeira vez na história, puxado pelo otimismo com o fim da guerra comercial entre EUA e China e noticiário corporativo

Bárbara Leite

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"Touro de Ouro" emplaca mais um recorde: Ibovespa fecha em 109.580 pontos–Foto: Pablo Spyer/Mirae Asset

O Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, fechou em alta nesta quinta-feira (7), renovando seu recorde histórico de fechamento, ultrapassando, pela primeira vez, a marca dos 109 mil pontos, puxado pela expectativa de um alívio da guerra comercial entre EUA e China e pela alta da Petrobras em sessão marcada pelo forte noticiário corporativo.

Nesta quinta-feira (7), o indicador avançou 1,13%, terminando nos 109.580 pontos, novo recorde da história. Durante o pregão, o índice chegou a 109.671,91 pontos, nova máxima intradiária. O volume financeiro do pregão somou R$ 20,25 bilhões.

Petrobras

A Petrobras foi a principal responsável pelo desempenho no índice, refletindo a alta do preço do petróleo, bem como análises positivas sobre a participação da empresa nos leilões do pré-sal.

As ações PN (PETR4) subiram 4,01%, enquanto as ON (PETR3) terminaram com avanço de 3,21%.

O petróleo tipo Brent, referência mundial, fechou com alta de 0,89%, enquanto o WTI, da Bolsa dos EUA, subiu 1,42%, com o anúncio do Ministério do Comércio chinês de que a China e os EUA concordaram em remover as atuais tarifas impostas a importações um do outro em etapas.

“Isso foi o que (os dois lados) concordaram fazer, após negociações cuidadosas e construtivas nas duas últimas semanas”, disse o porta-voz do ministério, Gao Feng.

À tarde, porém, a Reuters divulgou matéria dizendo que essa remoção gradual das tarifas não estava decidida e que teria oposição nos EUA.

Além do petróleo, a estatal subiu com a repercussão positiva e sua participação nos leilões do pré-sal. Um dia depois do maior leilão da história, da cessão onerosa, aconteceu, nesta quinta, 6ª Rodada de Partilha de blocos do pré-sal, e a estatal liderou, novamente, praticamente sozinha o certame. Arrematou a única área que concorreu, Aram (a maior e mais atraente), oferecendo os valores mínimos exigidos: R$ 5,5 bilhões de bônus e 29,96% de lucro/óleo (o que a nova empresa vai lucrar após pagamento de custos de produção e royalties). Neste bloco, ela terá 80% e a chinesa CNODC os restantes 20%.

Na véspera, a estatal havia arrematado Búzios com as chinesas CNODC e CNOOC, e o bloco de Itapu sozinha. Pelos 90% de Búzios e 100% de Itapu, a estatal precisaria desembolsar R$ 63,14 bilhões, mas como tem direito a R$ 34,1 bilhões da União por ter explorado os blocos desde 2010 e já começado a produzir petróleo, o total a pagar ficou em R$ 29,44 bilhões. Com Aram, que custou mais R$ 4,4 bilhões, o valor da dívida sobe a R$ 33,44 bilhões.

Analistas do Itaú BBA, liderados por Andre Hachem, escreveram em relatório que o “timing” do investimento pode não ter sido o ideal, já que a empresa está no meio do ciclo de desalavancagem (redução da dívida), porém, consideram que a empresa alocou corretamente o capital para adquirir e desenvolver mais reservas com potencial de gerar retornos que agreguem valor.

Mesma opinião foi compartilhada pelo analista do Bradesco BBI, Vicente Falanga, na véspera. “Os blocos são de alta qualidade, largamente depreciados e foram conquistados tendo que conceder o valor mínimo de óleo para a União, o que tornam os ativos como de alto valor agregado para a Petrobras”. Ele apontou que as áreas arrematadas (Búzios e Itapu) podem angariar um valor entre R$ 1,90 a R$ 4 para os ativos PETR4.

No início da noite desta quinta, a agência de classificação de risco Moody’s também avaliou positivamente a compra de Búzios e Itapu pela Petrobras, o que pode ter impacto no mercado nesta sexta. “A aquisição dos campos de Búzios e Itapu no leilão do pré-sal se encaixa bem na estratégia de negócios da Petrobras e é positiva para o crédito da empresa; ativos têm baixo risco operacional”, tuitou a agência.

O mercado também repercutiu a possibilidade de discussões com vistas a acabar com o modelo de partilha na exploração de petróleo no país, depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o modelo e atribuiu ao regime a ausência de empresas estrangeiras nos dois leilões do pré-sal que dá “Vendemos petróleo para nós mesmos”, disse Guedes. O modelo de partilha dá direito da preferência à Petrobras e a União é a dona do petróleo e a empresa divide com ela o lucro da exploração. 

Usiminas

Outro destaque positivo do Ibovespa foi a Usiminas (USIM5), que se beneficiou, além do otimismo com o fim da guerra comercial entre EUA e China, da elevação do preço-alvo e da recomendação pelo Credit Suisse.

O banco elevou de R$ 8 para R$ 10 o preço alvo da siderúrgica e aumentou a recomendação de “neutra” para “outperform”, considerando que 2020 será forte para a demanda de aço no Brasil, resultado do crescimento econômico mais acelerado. As ações da empresa subiram 7,93% para R$ 8,30, a segunda maior alta do Ibovespa, que teve 50 papéis que fecharam no azul, 17 em baixa e um estável.

 Confira as maiores altas do Ibovespa:

  • Natura (NATU3): +8,25%
  • Usiminas (USIM5) +7,93%
  • Klabin (KLBN11) +6,05%
  • Braskem (BRKM5) +5,93%
  • Ecorodovias (ECOR3) +5,68%

Confira as maiores baixas do Ibovespa:

  • IRB Brasil (IRBR3) -4,36%
  • Magazine Luiza (MGLU3) -2,21%
  • B2W (BTOW3) -2,13%
  • Yduqs (YDUQ3) -1,54%
  • Smiles (SMLS3) -1,48%

*Com Reuters e Infomoney

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