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Vídeo: EDP Brasil descarta interesse na Eletrobras e vai disputar linhas em dezembro, diz CEO

Elétrica não considera participar do processo de capitalização da estatal, previsto para o 2º semestre de 2020, nem da compra da Argo Energia; empresa entrará na próxima licitação de 2.470 km de transmissão, mas sem abdicar das rentabilidades

Bárbara Leite

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Miguel Setas: "Nossa estratégia passa por participação em leilões e projetos de dimensão intermédia"–Foto: Divulgação

A EDP Energias do Brasil (ENBR3) descartou participar do processo de capitalização da Eletrobras, operação que vai levar o governo federal a deixar o controle da elétrica, mas pretende entrar no próximo leilão de transmissão em 19 de dezembro, que vai licitar 2.470 quilômetros (km) de linhas, com investimentos estimados em R$ 4,17 bilhões.

“O nosso foco está nos investimentos em redes de transmissão e de distribuição. 90% do nosso investimento nos próximos anos está concentrado na área das redes. São seis lotes de transmissão que estamos a fazer. E nas nossas duas distribuidoras em São Paulo e no Espírito Santo. Adicionalmente temos uma participação minoritária em Santa Catarina na Celesc. Portanto, não temos nenhuma perspectiva de sair desse foco estratégico”, disse Miguel Setas, presidente executivo da elétrica, sobre o possível interesse em participar da capitalização da Eletrobras.

O executivo falou durante o “EDP Investor Day”, realizado nesta quarta-feira (6), em São Paulo.

O aumento de capital da Eletrobras deve ocorrer no segundo semestre de 2020. A expectativa é que a operação da estatal movimente R$ 24 bilhões e dilua a posição do governo para cerca de 30% ou 40% da companhia.

Setas também rejeitou estar na disputa pela Argo Energia, que é dona de 1,1 mil km de transmissão nos Estados de Maranhão, Piauí e Ceará, colocada à venda pelo fundo Pátria Investimentos. “A EDP não está a participar do processo de competição pela Argo. É um processo de um ativo de uma dimensão relativamente grande, onde nós achamos que a competição vai ser muito intensa (…) Esse projeto tem um enquadramento competitivo alto e na nossa avaliação não faz sentido”, comentou o CEO da EDP Brasil.

“A nossa estratégia passa por participação em leilões e mercado secundário, projetos de dimensão intermédia, onde nós encontramos um ambiente competitivo menos intenso (…) Vamos tentar achar oportunidades como as do Lote Q, de transmissão entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul”. Vamos tentar evitar processos de competição que sejam destruidores de valor para a companhia”, contou o executivo.

Com isso, Setas admite participar do leilão de transmissão de 19 de dezembro, mas destaca que a companhia não vai esmagar as margens para ganhar a licitação.

“Nos últimos três leilões também participamos, e fruto dessa competição tão intensa, acabamos por não ganhar nenhum lote. Nós ganhamos cinco lotes nos dois leilões anteriores, em 2016 e 2017. Nas últimas três, por razões de competição, que levou as rentabilidades para valores muito baixos, acabamos por não ganhar nenhum lote. E vamos acabar continuando assim, muito rigorosos na alocação de capital e mantendo a nossa exigência mínima de rentabilidade”, explicou.

Na área de transmissão, a EDP Brasil está desde 2016 e arrematou deste então 1.441 km de linhas, sendo que 113 km estão em operação. No segmento já foram investidos R$ 1,4 bilhão, de um total de previsto de R$ 3,8 bilhões até 2022.

Na distribuição, a elétrica é dona de duas distribuidoras, uma em São Paulo e outra no Espírito Santo, atendendo cerca de 3,5 milhões de clientes. Tem ainda uma participação minoritária de 23,6% na Celesc, em Santa Catarina.

Confira o vídeo com o CEO da EDP Brasil, Miguel Setas, no ‘EDP Investor Day’:

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