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Dono do Caras Bank mira as marcas ‘queridas’ dos brasileiros e quer chegar a 16 países

BTX Digital já lançou 12 bancos digitais e tem outros 28 em fase de finalização; modelo de negócio “chave na mão”, com tarifas competitivas e aposta em tecnologia e “cashback” permitem criar fintechs que dão retorno em apenas três meses, disseram os CEOs do grupo, Rafael Pimenta e Fernando Oliveira, em entrevista ao Economia Bárbara

Bárbara Leite

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Fernando Oliveira (à esq.) e Rafael Pimenta (à dir.): executivos negociam com "um grande time de futebol"–Foto: Divulgação

A BTX Digital, especialista na criação de bancos digitais que já lançou o Caras Bank e outras 11 instituições financeiras online, está de olho nas marcas “queridas” dos brasileiros e tem planos para expandir suas operações e fechar 2020 com a presença em 16 países, disseram os dois co-presidentes executivos (CEOs) do grupo, Rafael Pimenta e Fernando Oliveira, em entrevista ao Economia Bárbara.

“Depois (da revista) Caras, a BTX quer se juntar com outros grandes grupos que representem marcas que tenham o carinho dos brasileiros”, disse Rafael Pimenta, avançando que já está negociando com um “grande time de futebol, um dos três maiores do país”.

Até aqui, a BTX criou 12 bancos digitais e outros 28 estão em fase de finalização. “Cerca de 240 empresas já nos procuraram”, disseram eles.  A empresa já fechou, por exemplo, parceria com a Federação de Comércio (Fecomércio) do Ceará. Acertou também a criação do Student Bank, com a Associação de Estudantes do Brasil, num arranjo em que um cartão de crédito será acoplado à carteirinha estudantil. Tem também a rede de franquias Hollywood, que tem a consultoria do famoso médico Dr. Robert Rey, mais conhecido como Doutor Hollywood.

Retorno do investimento em três meses

Segundo os executivos, o modelo de negócio “chave na mão”, com tarifas competitivas e aposta em tecnologia e “cashback”, permite que eles criem instituições financeiras online que têm o retorno de investimento em apenas três meses.

O retorno é rápido, dizem, porque a BTX espelha as operações já criadas para novos clientes. Como já controla muitos bancos, tem mais moeda de troca nas negociações com outros agentes, como tarifas. “Nossas taxas são um terço do preço de mercado”, disse o executivo.

“A gente tem um sistema que se completa. Só banco digital não dá dinheiro. O nosso payback (retorno do investimento) é de 3 meses”, afirmou Rafael Pimenta.

Maquininha do Caras Bank–terminal aceita quatro chips–Foto: Divulgação

Além disso, controla toda a cadeia do negócio das maquininhas até toda à estrutura de tecnologia, reduzindo o custo da operação, que é enxuto devido ao uso de inteligência artificial. Também tem a própria agência de publicidade.

Segundo os CEOs da BTX, 12 robôs atualmente fazem o serviço de 3,5 mil pessoas.

Também conta com um fundo de investimento global por trás –a RedLions Capital, que financia a entrada desses bancos no mercado e dá o funding para operação. Foi do aporte do fundo de R$ 20 milhões que nasceu a BTX no ano passado.

Com isso, o grupo entrega um banco digital completo, tipo “chave na mão”, aos clientes, que eles chamam de banktechs, junção de várias fintechs. Cada banco digital criado necessitará da criação, na maioria dos casos, de outras seis empresas que vão lidar com um aspecto diferente da operação financeira, como a operação das máquinas POS (as maquininhas de cartão sem fio e que funcionam por wireless) ou casa de câmbio.

Além das carteiras digitais, o banco oferece cartão de débito (com saque na rede 24Horas) e de crédito, empréstimos, linhas de antecipação de recebíveis, além de reunir uma série de aplicativos (como táxi e alimentação) e serviços cujas comissões podem se converter em “cashback” (dinheiro de volta) para os correntistas.

Eles veem nesse sistema de bonificação o diferencial em relação a outros dos bancos digitais. No caso do Caras Bank, o objetivo é devolver até 20% do valor dos serviços usados pelos correntistas diretamente para a conta deles.

Em alguns casos, a BTX é dono 100% do banco, como no caso do Caras Bank, enquanto a marca recebe royalties; noutros, o grupo é sócio da marca.

800 ATMs

Para atender os bancos já criados, a BTX vai instalar uma rede própria de 800 ATMs (máquinas de saques de dinheiro) em São Paulo, informaram Pimenta e Oliveira.

Os cartões do grupo também permitem saque na Rede24horas. “O nosso custo é de R$ 2, e não de R$ 5,90 como na concorrência”, destacou Pimenta.

16 países em 2020

Além da expansão no Brasil, a BTX Digital quer ampliar sua presença no exterior, onde já tem operações nos EUA, Suíça e Paraguai. Na semana que vem deve desembarcar no Uruguai, o que deve permitir entrar em países da Ásia, como o Japão. México e Portugal também estão nos planos.

“A nossa ideia é estar em 16 países no ano que vem”, segundo Pimenta.

Antes de tocarem a empresa, que cresceu 10 para 60 funcionários em 2 meses, Pimenta desenvolveu o sistema de regulação médica do Samu, para o Ministério da Saúde, e Oliveira era CEO da B2B Capital Partner, empresa de venture capital.

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