A divulgação do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas em um país) brasileiro de setembro, na última quinta-feira (14), que superou as expectativas, já levou os economistas a reverem suas projeções para o crescimento da economia brasileira em 2019 e no ano que vem.
Agora, o mercado já vê o PIB do Brasil crescer 1% em 2019, e, em 2020, um percentual próximo dos 2,5%, contra alta de 0,90% antes para este ano e de 2% no ano que vem.
Segundo o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central (BC), a economia cresceu 0,44% em setembro, contra 0,30% esperados, e 0,91% no terceiro trimestre ante 0,70% previstos pelo mercado. Para os analistas, os números de setembro foram impulsionados pela liberação inicial dos saques de até R$ 500 por conta do FGTS, pela Semana do Brasil (Black Friday brasileira), além dos efeitos do corte da taxa básica de juros da economia, a Selic, iniciado em julho.
“A alta do IBC-Br em setembro veio em linha com os melhores resultados apresentados pelos principais setores da economia brasileira (indústria, serviços e comércio) e reforçou a mensagem de que o movimento de recuperação da economia tem sido cada vez mais disseminado entre os setores. A recuperação que antes era apresentada apenas pelos indicadores de comércio (especialmente pelo comércio de produtos duráveis), hoje já começa a ser apresentada por outros setores da economia”, segundo relatório da XP Investimento, que reviu suas projeções para alta de 1% em 2019 e de 2,3% em 2020.
Segundo o IBGE, as vendas no varejo no Brasil tiveram o melhor setembro em dez anos. O setor de serviços também mostrou bom desempenho: teve a maior expansão para o mês desde 2014, enquanto a produção industrial, o setembro mais forte em dois anos.
Para os economistas da XP, “a recuperação das vendas de produtos duráveis continuará sendo um dos principais vetores de crescimento da atividade brasileira nos próximos meses, mas entendemos que a partir do momento que o mercado de trabalho começar a apresentar uma recuperação mais sólida, mais setores da economia começarão a se beneficiar do ciclo econômico”.
Em seu relatório, o UBS também destaca que “há evidências crescentes de uma
ciclo de crescimento espalhado pelos setores”, prevendo uma retomada para 2020. Para 2019, o banco ainda estima que o PIB aumente 0,90%; para o terceiro trimestre do ano, cujo resultado do IBGE sai no próximo dia 3 de dezembro, a estimativa está em 0,50% de avanço.
“O crescimento está acelerando para 1,5%-2% ao ano em vez de 1% durante 2017-18”, destacam os economistas do banco suíço. “À medida que os choques do passado desaparecem e com uma flexibilização monetária significativa, que tem efeitos no crédito e na demanda interna, projetamos o PIB ganhando força para 2020”, diz o UBS, que estima um crescimento de 2,5% na economia no próximo ano.
Após o IBC-Br, a Go Associados passou a ver uma alta de 0,54% no terceiro trimestre e de 1,15% em 2019, enquanto a Mongeral Aegon Investimentos estima alta de 0,60% de julho a setembro e 1% no ano.
Na Trafalgar Investimentos, o economista-chefe Guilherme Loureiro manteve a perspectiva para o PIB do terceiro trimestre, de 0,50%, de 2019 (1%) e de 2020 (2,5%). “Os dados reforçam a expectativa que já era mais otimista para o terceiro trimestre”, disse.
Para o Banco Modalmais, o PIB brasileiro deve fechar o ano com crescimento de 0,99%, enquanto o Banco MUFG Brasil vê o indicador fechando o ano com alta de 1%. “O desempenho no quarto trimestre tende a ser ainda melhor em meio aos estímulos das vendas no final do ano”, segundo relatório do banco, que projeta uma alta de 0,40% para o terceiro trimestre.
Na última semana, o Boletim Focus, que reúne as estimativas de cerca de cem analistas do mercado, estimava que a economia brasileira crescesse 0,92% em 2019 e 2,08% em 2020.
*Com Broadcast/Estadão