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Após ata do Copom, gestora do Itaú eleva projeção da Selic de 3,75% para 4,25% em 2020

A Itaú Asset Management, que tinha a estimativa mais agressiva do mercado para o juro básico, mudou suas expectativas depois do tom mais duro do BC, revelado no documento sobre a última reunião do comitê, divulgado nesta terça

Bárbara Leite

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Gestora do Itaú melhora estimativa para o PIB em 2019, mas revisa para baixo o dado para 2020- Foto: Reprodução

Após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada nesta terça (5), a Itaú Asset Management, gestora de fundos de investimento do Itaú Unibanco, revisou suas projeções para a Selic no fim deste ano de 4% para 4,50% e elevou sua estimativa para o juro básico no fim de 2020 de 3,75% para 4,25%.

A gestora era a mais otimista em relação à extensão do ciclo de cortes de juros pelo Copom, que começou em julho, e a única que previa uma taxa básica de juros da economia abaixo de 4% no ano que vem.

A gestora também alterou suas projeções para a inflação oficial medida pelo IPCA. A estimativa para o índice oficial de inflação foi elevada de 3,3% para 3,4% em 2019, enquanto a previsão para o IPCA em 2020 foi cortada de 3,6% para 3,5%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em país) do Brasil, a Itaú Asset elevou sua projeção para o crescimento deste ano de 1,0% para 1,1%, enquanto a estimativa para o PIB de 2020 foi reduzida de 3,0% para 2,7%.

Já as previsões da gestora para o dólar foram mantidas em R$ 4,10 no fim deste ano e em R$ 4,20 no fim de 2020.

O que diz a ata do Copom

Em vários trechos da ata, o comitê dá indícios de que vai pausar os cortes depois de dezembro ou fazer, no máximo, um ligeiro ajuste (não mais de 0,50 percentual) na Selic em 2020. O documento que acompanhou a decisão do Copom na quarta-feira passada (30) já sinalizava essa cautela, mas a maior parte dos economistas ainda esperavam um ou dois ajustes de 25 pontos em fevereiro e março.

Veja abaixo os argumentos que reforçam a cautela:

1. PIB deve acelerar

O Copom diz, no parágrafo 11 (veja abaixo conteúdo na íntegra), que a economia deve ter crescido no terceiro trimestre e deve acelerar a alta nos trimestres seguintes. Embora aponte que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) será gradual, diz que a economia vai crescer mais rápido, sinalizando que não precisará de novos cortes nos juros para o crédito ficar mais barato, e assim estimular consumo e investimento.

Parágrafo 11: “Comitê estima que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter apresentado crescimento no terceiro trimestre. Os trimestres seguintes devem apresentar alguma aceleração, que deve ser reforçada pelos estímulos decorrentes da liberação de recursos do FGTS e PIS-PASEP – com impacto mais concentrado no último trimestre de 2019. O cenário básico do Copom supõe que o ritmo de crescimento subjacente da economia, que exclui os efeitos de estímulos temporários, será gradual”.

2. Ciclo de ajustes sem comparativo histórico

Outro ponto que aponta cautela é o fato do comitê ressaltar, no parágrafo 15, que falta evidência histórica para o atual ciclo de corte de juros, segundo avalia a XP Investimentos.

“O comitê destaca que as características do atual ciclo econômico, marcado pela menor participação do Estado, maior participação de recursos livres e do mercado de capitais no mercado de crédito, podem afetar a sensibilidade de variáveis macroeconômicas de uma forma ainda não totalmente conhecida, uma vez que faltam comparativos históricos para o atual grau de ajuste”, dizem os analistas, em nota.

3. Risco à inflação

Na ata, o comitê diz que a inflação seguirá controlada, mas vê alguns riscos para os preços administrados. Também diz que “o cenário com taxa Selic extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante produz inflação abaixo da meta para 2020” e apenas “ligeiramente” abaixo da meta para 2021. Se houver riscos à inflação, o Copom não corta juros, já que autoridade tem como missão deixar a inflação sob controle e dentro das metas.

“Nos parágrafos 17 e 18, o comitê destaca que a inflação se comportará de forma benigna, mas destaca algum risco para os preços administrados, que compensaram algumas surpresas desinflacionárias. Além disso, no parágrafo 18 o comitê ressalta que suas projeções de inflação para 2021 (horizonte relevante para a política monetária) estão “ligeiramente” abaixo da meta, revelando alguma preocupação”, afirma a XP Investimentos.

4. Necessidade de avanço das reformas

O comitê também destaca que serão precisas as reformas econômicas para a consolidação da queda do juro básico e que o atual ciclo econômico exige cautela. Isto quer dizer que possíveis cortes estarão dependentes do avanço das medidas.

Segundo a XP, “nos parágrafos 20 e 26, o comitê volta a destacar a necessidade do avanço das reformas para a consolidação da queda da taxa de juros, enquanto os parágrafos 22 e 27 voltam a ressaltar que o atual ciclo econômico exige cautela na condução da política monetária”.

*Com Valor Pro

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