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Veja os melhores e os piores investimentos em novembro

No mês, cenário externo, corte de juros básicos, revisão do PIB, falas de Guedes e leilões do petróleo do pré-sal foram determinantes para o desempenho das principais aplicações financeiras do país

Bárbara Leite

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Dólar liderou o ranking das rentabilidades das principais aplicações financeiras do país em novembro–Foto: Pixabay

Embora a notícia não agrade aos turistas, o dólar sagrou-se o campeão de retorno entre os principais investimentos no Brasil em novembro de 2019 do país e fez a alegria do investidor na moeda. No mês, a divisa americana acumulou alta de 5,77%, tendo atingido novo recorde nominal na história do Plano Real, criado em 1994: R$ 4,259.

Por tabela, os fundos cambiais, fundos de investimentos que investem em moedas estrangeiras, ficaram na vice-liderança de rentabilidades das principais aplicações financeiras do país em novembro. No mês, eles acumularam alta de 4,79%.

A terceira posição foi ocupada por outra categoria de fundos, os imobiliários, com o Ifix, índice que mede o desempenho médio das cotações dos fundos de investimentos imobiliários (FII), fechando em alta de 3,52%.

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Já o ouro, que, ao lado do dólar, são investimentos considerados refúgio em momentos de incertezas, teve valorização de 2,17% e ficou no quarto lugar do ranking dos rendimentos.

O mercado de ações completa o top 5 dos investimentos que tiveram as melhores rentabilidades em novembro, com o Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, a B3, terminando o mês passado com valorização de 0,95%.

Na lanterna

Já quem tinha aplicações financeiras em renda fixa se deu mal em novembro. Os fundos de renda fixa simples renderam, em média, 0,24%, perdendo até para a inflação medida pelo IGP-M, que variou 0,30%, que quase igualou com o ganho da poupança. A nova caderneta, os depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012, rendeu 0,32% no mês; a antiga poupança continuou dando 0,50% mais Taxa Referencial (que está zerada).

Os fundos sofrem por estarem atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que segue perdendo rendimento em meio à queda da taxa básica de juros, a Selic, que está em 5% ao ano.

Mas houve até piores retornos na renda fixa, como os títulos do Tesouro Direto prefixados e os atrelados à inflação, principalmente os de longo prazo, que só perderam para o lanterna do ranking, o volátil Bitcoin.

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O IRF-M, índice da Anbima que acompanha os títulos do Tesouro Prefixado, que terminou com rendimento negativo de 0,46% em novembro, enquanto o IMA-B, índice de referência da Anbima (entidade do mercado de capitais) que mede a performance do Tesouro IPCA+, recuou 2,45% em novembro.

Estas são as rentabilidades nominais. Os índices não levam em conta o desconto do Imposto de Renda (IR), que incide sobre títulos do Tesouro Direto e também sobre fundos. Com o pagamento do imposto, o ganho real dos investidores é menor.

Já o Bitcoin, que foi o pior investimento de novembro, caiu 10,8% no acumulado do mês, após notícias de que os escritórios na China da maior corretora do moeda virtual do mundo haviam sido alvo de uma ação policial, informações que a Binance negou.

Dólar: o que motivou a alta

A alta do dólar deixou o real com o pior desempenho mundial no mês entre 33 moedas. Apesar da aprovação da reforma da Previdência, o real foi penalizado por vários motivos, sendo que o estopim foi a frustração com os leilões de petróleo do pré-sal no início do mês. Nos dias 6 e 7, as principais petrolíferas estrangeiras não participaram das licitações, e os dólares que o mercado esperava que iam entrar acabaram por não entrar. Sem fluxo de capital, o dólar sobe.

O mês, em que a moeda é tradicionalmente pressionada já que as multinacionais mandam seus lucros ao exterior, teve ainda agravamento dos protestos no Chile e Bolívia, recuos e avanços no acordo comercial entre EUA e China e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF que soltou o ex-presidente Lula.

Também pesaram as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que caíram mal ao mercado, e levaram até o Banco Central (BC) a voltar a usar reservas para estancar a disparada da moeda. Guedes disse para o mercado se “acostumar” ao dólar mais alto “por um tempo”, chegando a dizer que não seria estranho se “alguém pedisse um AI-5”, ato que marcou o início da ditadura militar no país.

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Também assustou o desempenho das exportações de novembro, que entretanto, foram revistas para cima, trazendo alívio ao mercado. Foi um erro de US$ 4 bilhões na balança comercial.

Além disso, continuou o sentimento global de aversão a risco global, muito por conta das idas e vindas da guerra comercial entre EUA e China, que leva os investidores a comprarem dólar, pois consideram o investimento mais seguro em momentos de turbulência.

Bolsa e fundos imobiliários

A Bolsa e fundos imobiliários valorizaram no mês embalados pela retomada do crescimento econômico num cenário de juros em patamares historicamente baixos. O Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) do Brasil sofreu revisão em alta neste mês, após os bons números do varejo, indústria e serviços em setembro, e agora é esperado que ele cresça 1% em 2019; para 2020, o otimismo é melhor: o mercado já vê que a economia possa ter um crescimento perto de 2,50%.

As ações e os FIIs foram recomendadas por especialistas agora que a Selic caiu a 5% ao ano, e deve recuar mais em dezembro.

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Entre as ações, quem mais ganhou foram os papéis da Gerdau, com alta de 26,91%, beneficiada pelas melhores perspectivas para o PIB brasileiro e reajuste nos preços do aço.

O desempenho do Ibovespa, que soma ganho de 23,15% no ano, amparada pela forte demanda de investidores locais, também foi favorecido pelos relatórios emitidos por seis bancos, que orientaram seus clientes comprar papéis brasileiros, diante das estimativas para o PIB, agenda de reformas e após a aprovação da reforma da Previdência, que deve gerar uma economia de R$ 800 bilhões aos cofres públicos e ajudar a equilibrar as contas públicas.

Confira o ranking dos melhores e piores investimentos em novembro de 2019:

InvestimentoRentabilidade no mês
1. Dólar5,77%
2. Fundos cambiais4,79%
3. Ifix (índice de fundos imobiliários)3,52%
4. Ouro2,17%
5. Ibovespa 0,95%
6. Poupança antiga0,50%
CDI*0,42%
7. CDB***0,38%
8. Poupança nova **0,32%
IGP-M (inflação do aluguel) *0,30%
9. Fundos de renda fixa simples 0,24%
10. IRF-M-0,46%
11. IMA-B-2,45%
12. Bitcoin-10,8%

Fonte: Anbima, B3, Valor Pro, FGV, Tesouro Direto, Coinbase; *índices de referência **depósitos feitos até dia 4 de maio de 2012 ***rendimento bruto no 1º dia útil do mês

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