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‘Efeito Lula’ e EUA-China fazem dólar disparar nesta sexta; Ibovespa cai

Moeda americana sobe para a faixa de R$ 4,13, com incertezas sobre a trégua do acordo comercial entre as duas maiores potências do mundo e a decisão do STF que pode soltar o ex-presidente, acirrando mais a polarização no país em meio à onda de protestos na América Latina

Bárbara Leite

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Novela da guerra comercial volta a trazer cautela às Bolsas e mercados em geral–Foto: Pixabay

O dólar iniciou os negócios nesta sexta-feira (8) em forte alta, no terceiro pregão de valorização, com a volta das incertezas quanto a uma trégua na guerra comercial entre EUA e China e cautela após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar que um réu só pode ser preso depois de esgotados todos os recursos, entendimento que deve soltar vários presos na Lava Jato, incluindo o ex-presidente Lula da Silva.

Pelas 10h20, a moeda americana era negociada em R$ 4,136 uma valorização de 1,05%, depois de ter fechado na quarta (6) com a maior alta em sete meses (2,22%) e na quinta (7) em mais 0,29%, diante da frustração em relação à fraca participação de empresas estrangeiras nos dois leilões do petróleo do pré-sal que ocorreram nesta semana, decepcionando quem esperava uma forte entrada de dólares no país por conta dos certames.

Já o Ibovespa, referência da Bolsa nacional, que não havia sido impactado pela falta de estrangeiras nos leilões, iniciou a negociação em queda. Às 10h20, o índice caía 1,21% para 108.258 pontos. Na véspera bateu um novo recorde de fechamento nos 109.580 pontos, terminando acima dos 109 mil pela primeira vez na história.

As ações da Petrobras e dos bancos lideravam as quedas, empresas mais sensíveis às incertezas políticas. A Petrobras (PETR4) caía 1,97%, o Bradesco (BBDC4) recuava 1,08%, o Itaú Unibanco (ITSA4), tombava 0,65% e Banco do Brasil (BBSA3), -1,22%.

Nesta sexta (8), os ruídos políticos acentuam a percepção de falta de apetite do investidor estrangeiro pelo país, já revelado pela ausência de capital estrangeiro nos leilões do pré-sal.

A decisão do STF e a eventual libertação de Lula mexem com o mercado, uma vez que é esperada uma intensificação da polarização no país, em um momento em que a América Latina vive onda de protestos violentos contra os governos locais. Diante das incertezas, o estrangeiro retrai a aposta no país, que já sofre com o diferencial cada vez menor das taxas de juros brasileiras em relação aos EUA.

A postura do ex-presidente acirrou mais essa percepção. Antes do STF declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância, Lula afirmou que sairá da prisão “mais à esquerda” do que entrou, prometeu “um grande pronunciamento à nação” e que planeja uma partida de futebol com membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) no próximo dia 21 em Guararema (SP).

“É provável que o retorno do ex-presidente Lula ao jogo político contribua para a continuidade do ambiente de polarização do país”, segundo avalia Ribamar Rambourg, coordenador de Análise Política da Genial Investimentos.

A decisão do STF, porém, não torna Lula elegível. Segundo a consultoria Arko Advice, ele continua inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Por isso, diz a decisão mais importante para o Lula é a da segunda turna do STF que pode julgar a suspeição do ministro da Justiça, Sérgio Moro, então juiz da Lava Jato, que condenou Lula em 1ª instância. Essa decisão pode anular a única condenação colegiada de Lula e torná-lo elegível.

A sua soltura, de acordo com Rambourg, não deve impactar na agenda de reformas que o governo tenta emplacar no Congresso, como o Pacto Federativo. “É pouco provável que haja impactos significativos em relação à tramitação da agenda econômica no Congresso Nacional, que atualmente depende muito mais dos presidentes das Casas Legislativas e das lideranças partidárias do que do Executivo”, avaliou o analista político.

China e EUA: novela ganha mais um capítulo

As dúvidas em relação ao fim da guerra comercial persistem. Nesta quinta (7), o Ministério de Comércio chinês anunciou que os países concordaram em remover tarifas sobre importações um do outro “em fases”, a depender do progresso nas negociações para um pacto comercial provisório. Horas depois, porém, a agência Reuters citou fontes dizendo que o plano de remoção de tarifas sofre “forte oposição” internacional na Casa Branca.

Já o diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, disse em entrevista à “Fox Business” que não há nenhum acerto para remover “quaisquer das tarifas existentes” sobre importações chinesas, como parte da chamada “fase 1” de um acordo bilateral. “A única pessoa que pode tomar essa decisão é o presidente (Donald) Trump”, afirmou à emissora.

Essas incertezas, com declarações contraditórios de cada um dos lados, fizeram as Bolsas asiáticas terminarem em queda.

Balança comercial chinesa: números positivos

Nem os dados positivos da balança comercial chinesa animaram os investidores por lá. Em outubro, as exportações chinesas tiveram queda de 0,9% na comparação com igual mês de 2018, contra previsão de queda de 3,1%, segundo analistas consultados pelo “The Wall Street Journal”. Já as importações diminuíram 6,4%, também menos que o projetado (8,6%). Isso quer dizer que o país está sofrendo com a guerra comercial, mas menos do que o esperado.

O dado das importações pela China é particularmente relevante para o Brasil, que vem aumentando suas exportações à China, principalmente de carne suína e soja, com a guerra comercial e a peste suína africana, que afeta a oferta de porcos chineses.

*Com Estadão

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