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Dólar cai abaixo de R$ 4,19 com alívio no exterior e anúncio do BNDES; Ibovespa sobe

Moeda americana negocia em baixa após ter disparado a R$ 4,205 na véspera com receios de contágio de um novo vírus da China, que já matou 17 pessoas e chegou aos EUA e Hong Kong; estudos que relativizam os riscos e fala de Trump à CNBC ajudam a diminuir os temores; por aqui, a divulgação de início da venda pelo banco de fomento de suas ações ordinárias na Petrobras eleva a esperança de alta de fluxo; dados da FGV também animam

Bárbara Leite

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Mercados seguem atentos ao novo vírus da China, que pode retrair viagens e negócios–Foto: Reprodução

(atualiza com cotações de fechamento)

O dólar recuou nesta quarta-feira (22) e devolveu parte da forte de alta da véspera, quando a moeda superou R$ 4,21, enquanto o Ibovespa, índice de referência da B3 (Bolsa de Valores brasileira), subiu, refletindo o esforço da China em conter um novo vírus, que já matou 17 pessoas, e o anúncio do BNDES de que vai vender suas ações ordinárias na Petrobras. Apesar da notícia de que a doença atingiu Hong Kong, um dia após primeiro caso nos EUA ser reportado, o anúncio do governo chinês de ações para diminuir risco de disseminação foi bem recebido. A meio da manhã, a China anunciou que o número de mortos com a pneumonia viral subiu de 9 para 17.

No fechamento, o dólar terminou nos R$ 4,176, com queda de 0,72%, após ter fechado na véspera nos R$ 4,205, com alta de 0,39%, para o maior patamar do ano. O Ibovespa subiu 1,17% para os 118.391 pontos, depois de ter encerrando com baixa de 1,54% nesta terça (21).

Leia também: Vírus da China chega a Hong Kong e freia alta nas Bolsas; Ibovespa futuro sobe e petróleo cai

O sentimento positivo acompanhou as altas no exterior. Na Ásia, o dia foi de fechamentos no azul, depois dos tombo com os receios de que o vírus chinês pudesse retrair viagens, negócios e afetar o já fraco crescimento econômico. O Hang Seng, de Hong Kong, terminou com alta de 1,27%, Xangai (China) subiu 0,28%, Nikkei (Japão) teve alta de 0,70% e Kospi (Coreia do Sul) avançou 1,23%.

Alívio com surto: estudos, governo e Trump

O governo chinês diz que estão tomando precauções à medida que milhões de chineses começam a viajar, por conta das férias do Ano Novo Lunar, que se inicia nesta sexta (24) e vai até dia 30, ameaçando ampliar uma nova pneumonia oriunda do centro do país.

Leia também: EUA confirmam 1º caso de infecção pelo novo vírus da China

O banco UBS divulgou um relatório afirmando que acredita que a China tenha aprendido a lição com o outro surto respiratório, o SARS, que se espalhou da China em 2003 para outros 12 países e matou 800 pessoas.

Estudo da Fidelity mostra que os efeitos negativos nas Bolsas de anúncio de epidemias tendem a ser passageiros apesar de elevarem a volatilidade no curto prazo. Se este for o caso do novo vírus, as Bolsas seguirão em tendência de alta e as quedas podem ser limitadas.

Na manhã desta quarta (22), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse em entrevista à CNBC que o país tem sob controle o surto de coronavírus e que não está preocupado com uma propagação da doença no país.

Vírus em Hong Hong….

Hong Kong confirmou nesta quarta seu primeiro caso do vírus da China, que começou na cidade de Wuhan, no centro do país, disseram as emissoras locais RTHK e TVB, citando fontes não identificadas.

O surto, que começou em Wuhan, se espalhou para mais cidades chinesas, incluindo a capital Pequim, Xangai e Macau, e casos foram relatados fora das fronteiras do país, na Coreia do Sul, Tailândia e Japão.

O paciente chegou a Hong Kong por via férrea de alta velocidade do continente e ficou em quarentena no hospital Queen Elizabeth, informaram os relatórios.

… e nos EUA

Nesta terça (21), o medo de que a doença possa retrair viagens, negócios e pesar ainda mais no já lento crescimento econômico mundial foi ampliado depois que os EUA divulgaram que foi detectado um caso do vírus por lá em um viajante que veio da China.

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 Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), um viajante da China foi diagnosticado no condado de Snohomish, no estado de Washington, com o coronavírus Wuhan.

As autoridades disseram que o homem doente, na casa dos 30 anos, é “muito saudável” e que o risco de contágio é baixo.

BNDES vende posição na Petrobras…

Além do alívio com a pneumonia viral, o dólar negocia em baixa também refletindo o anúncio do BNDES solicitou o registro de oferta pública de distribuição secundária à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para vender até 9,86% das ações ordinárias na Petrobras (PETR3) que estão com o banco. O valor do preço da ação na oferta será definido em 5 de fevereiro numa operação que pode atingir R$ 23 bilhões.

A esperança de fluxo com a venda das ações da Petrobras pelo BNDES reduzem a alta do dólar nesta quarta, segundo José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos.

De acordo com Faria Júnior, o BNDES ainda manterá os 19% de ações preferenciais (PETR4) que deverão ser vendidas durante o ano e que deverão render mais R$ 32 bilhões ao banco.

… e Guedes o Brasil em Davos

Nesta quarta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue em Davos, na Suíça, pelo Fórum Econômico Mundial, tentando captar investimentos ao país, que, se concretizados, vão aliviar as cotações do dólar.

Leia também: Veja o que Guedes falou em Davos

De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, o governo brasileiro ofereceu em Davos R$ 320 bilhões em projetos a investidores internacionais, com a tecnologia 5G integrando a lista.

Confiança da indústria retoma nível antes da greve dos caminhoneiros

Outro dado que pode animar o mercado foi divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta. A prévia do índice de confiança da indústria subiu de 99,4 pontos em dezembro para 100,5 pontos em janeiro, maior nível desde abril de 2018, véspera da greve dos caminhoneiros.

“A alta do índice de confiança sugere que a atividade econômica deste trimestre vai se acelerar”, diz o diretor da Wagner Investimentos, em relatório a clientes.

O estrangeiro aguarda novos dados sobre o crescimento do Brasil para investir no Brasil.

*Com Bloomberg

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