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Dólar cai a R$ 4,20; novos fatores podem deixar moeda mais perto de R$ 4 do que de R$ 4,30

Moeda americana emenda terceiro dia de quedas após notícia da Blomberg e divulgação de dados melhores do que o esperado na Europa e Brasil; Trump também ajudou ao mudar discurso; veja o que pode levar a novas baixas na divisa

Bárbara Leite

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Depois de fechar novembro com alta de 5,8%, dólar tem alívio na primeira semana de dezembro–Foto: Pixabay

(Publicada às 13h56; atualizada às 18h20)

O dólar emendou, nesta quarta-feira (4), o terceiro dia consecutivo de queda, depois da Bloomberg noticiar que os EUA e a China estão se aproximando de fechar a primeira fase do acordo comercial, apesar das tensões em Hong Kong e Xinjiang e dos comentários do presidente dos EUA, Donald Trump na véspera. Nesta quarta, Trump mudou o discurso e falou que as negociações com os chineses estão “indo muito bem”.

Também animou o mercado os dados positivos do PMI (índice de gerentes de compras na inglês em inglês) final da Alemanha e Zona do Euro, que vieram melhores do que o esperado, além da produção industrial brasileira, que fechou outubro com alta de 0,8%, no melhor resultado para o mês em sete anos, sinalizando uma retomada para o setor no quarto trimestre.

No fechamento, a moeda americana terminou com ligeira queda 0,09%, nos R$ 4,202, depois de chegar a negociar em R$ 4,184; na véspera, a divisa fechou com baixa de 0,19% para R$ 4,20.

Na semana, a divisa acumula baixa de 0,90%; no ano, a valorização ainda soma 8,45%.

“A notícia da China de que pode chegar a um acordo a qualquer momento e os PMIs europeus” explicam a queda do dólar nesta quarta (4), disse Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset e colunista do Economia Bárbara.

Novos fatores podem deixar divisa mais perto de R$ 4 do que de R$ 4,30

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o dólar “segue a tendência de queda de curto prazo enquanto estiver abaixo de R$ 4,22”.

“Após a cotação atingir o objetivo de alta de longo prazo (R$ 4,28), vemos uma acomodação. O fim do período de remessas de lucros e dividendos, o possível acordo preliminar entre China e EUA, as decisões de política monetária da próxima semana (Fomc e Copom), o início do período de exportação de soja (a partir do início do próximo ano) e dados melhores da nossa economia serão fatores que podem deixar nossa moeda mais perto de R$ 4 do que de R$ 4,30”, segundo relatório de Faria Júnior, divulgado nesta quarta.

Na próxima quarta-feira (11), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC e o Fomc (o Copom) do Fed (Banco Central dos EUA) se reúnem para anunciar a trajetória das suas taxas básicas de juros.

Sobre a decisão americana, a expectativa é que haja uma pausa nos cortes, após três consecutivos de 0,25 ponto percentual, enquanto no Brasil, a taxa básica de juros, a Selic, deve sofrer novo corte de 0,50 ponto percentual e terminar o ano em 4,50%.

Nesta terça, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) brasileiro subiu 0,6% no terceiro trimestre, acima das previsões. Nesta quarta, o dado da produção industrial, que subiu 0,8% em outubro iniciando o quarto trimestre em retomada, sinaliza que a economia brasileira está começando sua recuperação mais acelerada, e isso pode atrair capital ao país.

Para o diretor da Wagner Investimentos, se o comunicado do Copom ou a ata da reunião sinalizarem que, após o corte para 4,50%, a taxa deve ser mantida “o dólar tende a perder um pouco de força aqui”.

Acordo está próximo; Trump muda discurso

A queda do dólar nesta quarta reflete a notícia da Bloomberg, divulgada pela 6h30. De acordo com a agência, as pessoas, que pediram para não serem identificadas, disseram que os comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, nesta terça-feira (3), subestimando a urgência de um acordo, não devem ser entendidos como significando que as negociações estavam paralisadas, já que ele estava falando abertamente.

A legislação americana recente que busca sancionar as autoridades chinesas por questões de direitos humanos em Hong Kong e Xinjiang não deve afetar as negociações, disse uma pessoa familiarizada com o assunto, acrescenta a Bloomberg.

Leia também: Trump: pode ser melhor esperar até depois das eleições de 2020 para um acordo com a China

Os negociadores dos EUA esperam que um acordo de primeira fase com a China seja concluído antes que as novas tarifas americanas subam em 15 de dezembro, disseram as pessoas. Questões pendentes nas negociações incluem como garantir a compra de produtos agrícolas dos EUA pela China e exatamente quais tarifas reverter, acrescentaram.

O escritório do representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, não respondeu a uma solicitação de comentário. O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente a um pedido solicitando comentários sobre reversões de tarifas.

Na véspera, Trump sugeriu que o acordo não deveria sair antes de novembro de 2020, após as eleições americanas.

“De certa forma, eu gosto da ideia de esperar até depois da eleição para o acordo com a China, mas eles querem fazer um acordo agora e veremos se o acordo vai ou não dar certo”, afirmou Trump a repórteres em Londres, onde participou da reunião da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que vai assinalar o 70.º aniversário do bloco.

Nesta quarta, Trump mudou o tom e já disse que as negociações com os chineses estão “indo muito bem”. As conversas estão indo muito bem e veremos o que vai acontecer”, afirmou o presidente dos EUA.

PMIs europeus

O bom humor lá fora foi sustentado pela divulgação dos PMIs, que retratam a saúde econômica dos países O PMI final da Zona do Euro, divulgado pela IHS Markit, que junta os setores de serviços e manufatura, manteve-se estável em novembro, nos 50,6, acima do previsto de 50,3. Ele foi puxado pelo melhor desempenho da indústria, que compensou a ligeira queda dos serviços.

O PMI de serviços da Alemanha subiu de 51,6 em outubro para 51,7 novembro, superando também uma leitura preliminar de 51,3. Já o índice final alemão avançou para 49,4, de 48,9 em outubro, mas continuou abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

Leia também: Agenda econômica da semana: veja o que você precisa acompanhar

A França (52.1) permaneceu o país com melhor desempenho em termos de crescimento, seguida por Irlanda (52) e Espanha (51.9). Junto com a Alemanha, Itália, com 49,6, são os países europeus que sinalizam reduções na atividade do setor privado.

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