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Acordo comercial ‘azeda’: China ameaça retaliar após Trump assinar projeto pró-Hong Kong

A “fase 1” do pacto entre as duas potências pode estar comprometida após o presidente dos EUA aprovar lei que apoia os manifestantes da ex-colônia britânica, o que irritou os chineses, que já prometeram revidar; notícia pode pressionar o dólar e o Ibovespa; BC já anunciou leilão para tentar frear moeda americana

Bárbara Leite

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Protestos pró-democracia em Kong Kong começaram em junho e têm ficado mais violentos–Foto: Agência Brasil

A primeira fase do esperado acordo comercial entre EUA e China para pôr fim a uma parte da guerra de tarifas entre as duas potências pode estar comprometido: o presidente americano, Donald Trump, assinou o projeto de lei que apoia os manifestantes pró-democracia em Hong Kong, e a China já avisou que vai retaliar.

O anúncio é um “balde de água fria” sobre o avanço das negociações para acabar com a guerra comercial, que se arrasta há mais de um ano e meio e tem desacelerado o crescimento econômico mundial, e deve pressionar o humor dos mercados, podendo puxar o dólar e derrubar o Ibovespa, índice da Bolsa brasileira, nesta quinta-feira (28) em que a liquidez tende a ser menor por conta das Bolsas nos EUA estarem fechadas pelo feriado do Dia de Ação de Graças.

Por aqui, o Banco Central (BC) anunciou que vai fazer um leilão de venda à vista de US$ 1 bilhão nesta manhã, entre as 9h45 e as 9h50, para elevar a liquidez do mercado, e assim, conter uma possível alta do dólar, que fechou, nesta quarta-feira (27) em novo recorde, o terceiro seguido: R$ 4,259.

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O presidente Trump  assinou nesta quarta-feira (27) a lei em que manifesta apoio aos protestos pró-democracia em Hong Kong, que havia sido aprovada no Congresso americano

De acordo com a agência Reuters, o texto determina que o Departamento de Estado americano se certifique anualmente de que Hong Kong mantém autonomia suficiente que justifique o comércio com os EUA.

Além disso, a lei também ameaça com sanções se houver violações aos direitos humanos, e proíbe a exportação de armas de efeito moral para a polícia de Hong Kong.

Retaliação da China

A decisão irrita o governo da China em meio à expectativa de assinatura da “fase 1” do acordo comercial entre as duas nações. O presidente chinês, Xi Jinping, já havia alertado os EUA sobre interferência na crise em Hong Kong.

Nesta quinta, segundo o site britânico LiveSquawk, a China já prometeu retaliar, mas ainda não informou detalhes sobre o possível troco à decisão do presidente americano.

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Já o Ministério das Relações Exteriores em Pequim emitiu uma nota informando que a decisão de Trump “é pura interferência nos assuntos internos da China. A lei trata Hong Kong com intimidação e ameaças”.

O Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, que lida com as duas regiões especiais chinesas, divulgou nota afirmando que o ato do governo Donald Trump é “cheio de preconceito e arrogância”, e que “fatos provam que os EUA é a maior ‘mão negra´ por trás da interferência em Hong Kong”.

Quando o Congresso americano aprovou a lei, a China reagiu e convocou para explicações de um diplomata do alto escalão dos EUA. O governo chinês ameaçou tomar medidas “duras” caso Trump aprovasse a legislação.

Apesar da reação chinesa, Trump disse que assinou a lei em respeito à população do território semiautônomo e também em respeito a Xi.

“Estamos aprovando as leis na esperança de que os líderes e representantes da China e de Hong Kong sejam capazes de resolver suas diferenças amigavelmente para levar a uma paz duradoura e prosperidade para todos”, afirmou o presidente dos EUA em comunicado.

Protestos em Hong Kong

Os protestos em Hong Kong começaram em junho contra um projeto de lei autorizando as extradições para a China continental de cidadãos do território.

A proposta foi abandonada em setembro, mas as reivindicações aumentaram, com os manifestantes, principalmente estudantes, exigindo mais democracia e contra a interferência de Pequim no território.

*Com G1

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