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Itaú, Pan, BB Seguridade, Porto Seguro, Marcopolo, Azaleia: veja quem se deu bem e mal no 3º tri

Confira os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2019 destas seis empresas, que foram divulgados nesta segunda-feira, dia 4

Bárbara Leite

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Temporada de balanços do terceiro trimestre tem divulgação de 49 resultados financeiros nesta semana–Foto: Reprodução

A temporada de divulgação de balanços continua forte e, nesta segunda-feira (4), Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4), BB Seguridade (BBSE3), Porto Seguro (PSSA3), Marcopolo (POMO4), Vulcabras Azaleia (VULC3) e Banco Pan (BPAN4) divulgaram seus resultados financeiros do terceiro trimestre de 2019. Veja como se comportaram essas empresas de julho a setembro:

Lucro do Itaú Unibanco sobe 10,9%, um pouco acima das projeções

Maior banco privado do país, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,156 bilhões no terceiro trimestre deste ano, puxado pela alta na carteira de crédito e nas cobrança de tarifas. A cifra é 10,9% maior do que o valor registrado no mesmo período do ano passado (R$ 6,454 bilhões) e um pouco acima das estimativas de analistas ouvidos pela Bloomberg (R$ 7,11 bilhões).

O lucro recorrente do Itaú, porém, não considera o impacto do programa de desligamento voluntário (PDV) implementado pelo banco no terceiro trimestre, que teve a adesão de 3,5 mil funcionários e custou R$ 2,4 bilhões.

O Itaú registrou ROE (retorno sobre o patrimônio, indicador que mede como a instituição remunera o capital do acionista) de 23,5% entre julho e setembro deste ano –mesma taxa vista no trimestre anterior e 2,2 pontos percentuais acima do registrado um ano antes (21,3%).

A margem financeira (receitas com a concessão de crédito menos os custos de captação) aumentou 9,6% para R$ 19,071 bilhões e ajudou a puxar o lucro no trimestre.

A alta se deu pela melhora da oferta de crédito, que teve expansão de 8,3% em relação ao mesmo período de 2018 e alta de 4,4% ante o segundo trimestre de 2019, totalizando R$ 689 bilhões.

Também ajudou no aumento da margem, o avanço de 15,4% nas operações de tesouraria.

Apesar da estabilidade na taxa de inadimplência (2,9%), o banco elevou as provisões para calotes em 26,1% ante o terceiro trimestre de 2018, somando R$ 4,922 bilhões. Sobre o trimestre anterior, a alta foi de 11,7%.

Já as receitas com tarifas e prestação de serviços cresceram 6,8% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, para R$ 10,8 bilhões.

Banco Pan lucra 174% mais

 O Banco Pan teve lucro líquido de R$ 134,6 milhões, um crescimento de 14% em relação ao segundo trimestre (R$ 117,7 milhões) e uma expansão de 174% frente ao lucro de igual período de 2018 (R$ 49,1 milhões).

Com isso, o lucro líquido do banco acumulado entre janeiro e setembro de 2019 alcançou R$ 348,4 milhões, uma alta de 136% contra igual período do ano passado (R$ 147,9 milhões).

Segundo a instituição, o resultado foi puxado por uma melhoria da margem financeira e pelas provisões de crédito recorrente sob controle.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado foi de 23,7%, abaixo dos 23,9% registrados no segundo trimestre, mas acima dos 13,5% no terceiro trimestre de 2018.

Houve ainda crescimento nas despesas administrativas e de pessoal do banco. Entre julho e setembro de 2019, esses custos somaram R$ 365 milhões, uma alta de 25% em relação ao 2º trimestre (R$ 292 milhões) e de 30,8% contra o 3º trimestre de 2018 (R$ 279 milhões).

Segundo o banco, o aumento foi puxado por despesas pontuais, como com o “Follow-on” (operação para dispersar mais capital em Bolsa), além do aumento de quadro de colaboradores, incluindo dissídio, reajuste de salários e honorários.

BB Seguridade tem lucro melhor que o esperado e eleva projeção

A BB Seguridade, empresa de seguros e previdência do Banco do Brasil (BB), informou que teve crescimento de 21,3% no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre, somando R$ 1,08 bilhão, acima do previsto pelo mercado ( R$ 992,4 milhões).

O bom desempenho fez a companhia rever para cima sua projeção de crescimento para 2019. Agora espera que o lucro líquido ajustado deste ano cresça no intervalo entre 13% e 17% ante projeção anterior de expansão de 8% a 13%.

Segundo a BB Seguridade, o lucro avançou em parte por “aumento de 44,4% no resultado operacional da BB Corretora, decorrente tanto do forte desempenho comercial, potencializado pelo reconhecimento do bônus de performance em função da superação das metas de vendas dos seguros prestamista e vida do produtor rural, como da melhora de 3 pontos percentuais na margem operacional”.

Além disso, o resultado foi apoiado em redução de alíquota de impostos nas unidades Brasilseg, Brasilprev e Brasilcap; e incremento dos prêmios ganhos e melhora na sinistralidade.

Lucro da Marcopolo despenca 64,8%

O lucro líquido da Marcopolo, fabricante de carrocerias para ônibus, totalizou R$ 22,8 milhões no terceiro semestre de 2019, queda de 64,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a empresa, o resultado foi prejudicado pela queda da receita no Brasil, junto com um aumento das despesas, com a linha sendo afetada pela contabilização de R$ 3,2 milhões por provisões com processos trabalhistas e pelo recuo de 99% no resultado de equivalência patrimonial.

A receita operacional líquida encerrou o trimestre em R$ 1,08 bilhões, queda de 1,8% ante os R$ 1,1 bilhões registrados no mesmo período de 2018 e abaixo dos R$ 1,13 bilhões estimados pelos analistas ouvidos pela Bloomberg.

A receita no Brasil recuou 6%, para R$ 615,1 milhões, com redução do volume de produtos rodoviários. A Marcopolo destacou que o resultado do terceiro trimestre de 2018 foi influenciado pela antecipação de vendas gerada pela entrada em vigor, a partir de outubro de 2018, de regra sobre a obrigatoriedade da instalação de elevadores de acessibilidade nesses modelos.

As exportações cresceram 3%, para R$ 188,6 milhões, mas a empresa diz que elas se mantiveram baixas, repetindo a tendência do segundo trimestre.

O Ebitda, valor que mede a geração operacional de caixa da companhia, ficou em R$ 60,2 milhões, uma queda de 47,8%. O Ebitda esperado era de R$ 102,3 milhões. A margem Ebitda foi de 5,6%, diminuindo 4,9 pontos percentuais em comparação aos mesmos três meses de 2018.

As despesas operacionais cresceram 26,2%, para R$ 106,4 milhões. As despesas com vendas caíram 14%, para R$ 55 milhões, e as despesas gerais e administrativas recuaram 1,4%, a R$ 48,6 milhões.

As despesas financeiras líquidas somaram R$ 25,5 milhões no terceiro trimestre, ante os R$ 25,3 milhões negativos registrados no terceiro trimestre de 2018. Segundo a Marcopolo, o efeito mais relevante é oriundo da variação cambial, no total de R$ 19,4 milhões, reflexo da desvalorização do real frente ao dólar sobre a carteira de pedidos.

Porto Seguro tem lucro 5,3% maior; receita do segmento de autos cai

A seguradora Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 335,2 milhões, uma alta foi de 5,3% em relação ao mesmo período de 2018. A receita total avançou 2,7%, para R$ 4,6 bilhões também na comparação ano a ano. Os prêmios obtidos cresceram 2,7%, a R$ 3,9 bilhões.

“No terceiro trimestre, a Porto Seguro retomou a expansão de suas receitas, explicado pelo crescimento de cinco dos seis maiores produtos”, disse a seguradora, em nota.

A divisão de automóveis foi a área em que a seguradora registrou queda no prêmios emitidos. De julho a setembro, o recuo nesse segmento foi de 1,1% na comparação ano a ano no trimestre entre julho e setembro, somando R$ 2,497 bilhões. Entretanto, a frota de veículos segurados cresceu 0,2% a 5,364 milhões de unidades.

Já o segmento de negócios financeiros e serviços teve números positivos. A receita da divisão cresceu 4,5% a R$ 621,8 milhões, puxada pela expansão das operações de cartão de crédito e financiamento. A empresa tem 2,376 milhões de cartões emitidos e 75 mil clientes de financiamento. A carteira de crédito avançou 13,5%, a R$ 7,097 bilhões.

O retorno (ROE) da Porto Seguro caiu para 18,8% ante 18,9% no mesmo período de 2018. A sinistralidade total aumentou 2,6%, a 53,1%. O índice combinado da seguradora, que mede a eficiência operacional, avançou 2,3%, a 94%.

“O lucro cresceu pelo sétimo período consecutivo, decorrente principalmente da ampliação do retorno sobre as aplicações financeiras e da expansão da lucratividade dos negócios financeiros e serviços”, informou a seguradora.

Lucro da Vulcabras Azaleia sobe 5,8%; Ebitda aumenta 17,7%

A Vulcabras Azaleia, dona das marcas Azaleia, Dijean, Olimpikus, Opanka, Botas Vulcabras e Under Armour (representante), registrou lucro líquido de R$ 41,8 milhões, alta de 5,8% ante o obtido no mesmo período de 2018.

O resultado líquido da empresa foi beneficiado por itens “não recorrentes”, como reconhecimento de R$ 1,8 milhão relativo ao valor principal de crédito de PIS e Cofins sobre ICMS, acordo em processo tributário de R$ 10 milhões, e juros crédito PIS Cofins de R$ 400 mil, parcialmente compensado por uma provisão de R$ 8,2 milhões.

De julho a setembro, a receita líquida somou R$ 359,4 milhões, crescimento de 11,6% na comparação anual.

Deste total, a receita de calçados esportivos subiu 11%, para R$ 270,4 milhões, enquanto de calçados femininos recuou 3,1%, para R$ 53,2 milhões, e de chinelos, botas e componentes para calçados teve queda de 15,2%, para R$ 15,6 milhões. A receita de confecções e acessórios teve expansão de 288,5%, para R$ 20,2 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 17,7% no terceiro trimestre de 2019 ante igual intervalo de 2018, para R$ 64,6 milhões.

No documento, o presidente da companhia, Pedro Bartelle, destaca que o resultado se mostrou expressivo, “considerando que não houve a retomada econômica aguardada pelo mercado”.

Além disso, ressaltou que “diante das dificuldades impostas pelo acirrado cenário competitivo do varejo, a empresa executou um planejamento focado no desenvolvimento de novos produtos, tendo como um dos pilares principais a inovação”.

*Com Reuters e Valor.com

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