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Desemprego se mantém em 11,8%; informalidade é recorde e construção lidera vagas

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação no trimestre terminado em setembro é a mesma do período anterior, atingindo 12,5 milhões no país; emprego sem carteira segue sustentado o mercado brasileiro, que tem falta de trabalho para 27,5 milhões de pessoas

Bárbara Leite

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No trimestre terminado em agosto, emprego sem carteira subiu 2,9% e por conta própria avançou 1,2%–Foto: Agência Brasil

A taxa de desemprego no país se manteve em 11,8% no trimestre terminado em setembro, atingindo 12,5 milhões de pessoas. O número, que é parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (31) pelo IBGE, ficou acima das projeções nos analistas, que previam uma taxa de desocupação menor, de 11,5%.

A taxa é a mesma registrada nos três meses terminados em agosto, mas menor que os 12% observados nos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período de 2018, a taxa de desemprego sofreu leve redução, de 0,1 ponto percentual. Já o número de desempregados recuou em 100 mil na comparação com o mês anterior: em agosto, eram 12,6 milhões de trabalhadores brasileiros desempregados.

“Temos mais pessoas trabalhando e menos pessoas procurando trabalho. Essa queda na taxa é normalmente observada nos meses de setembro, é uma sazonalidade típica do mercado de trabalho. O ano geralmente começa com mais pessoas procurando trabalho e no terceiro trimestre há tendência de reversão”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Informalidade recorde

Com aumento de cerca de 459 mil pessoas, no trimestre encerrado em setembro, a população ocupada chegou a 93,8 milhões, um recorde na série histórica que teve início em 2012. A geração de postos de trabalho é em grande parte explicada por recordes em duas categorias associadas à informalidade: houve aumentos de 2,9% no emprego sem carteira no setor privado, que registrou 11,8 milhões de empregados, e de 1,2% de trabalhadores por conta própria, que totalizavam 24,4 milhões de pessoas.

“Do ponto de vista quantitativo, tem mais pessoas trabalhando nesse trimestre, mas a questão é a qualidade dessa forma de inserção informal”, ressalta a analista.

Construção puxa contratações; agricultura não gera vagas

De acordo com o IBGE, o aumento de pessoas ocupadas foi observado em todas as atividades, exceto na agricultura. Entretanto, apenas na construção o aumento de 3,8% foi estatisticamente significativo, com acréscimo de 254 mil postos de trabalho como pedreiros, marceneiros e pintores.

“Essa construção não é como em anos anteriores, realizada por grandes empreiteiras que contratam com carteira assinada. São obras e reformas em pequenos prédios, com profissionais que trabalham por conta própria”, analisa Adriana Beringuy.

Falta trabalho para 27,5 milhões; desalento cai

A Pnad Contínua traz o dado do desemprego mais ampliado, incluindo a subutilização da força de trabalho. Se considerada essa subutilização, que inclui além dos desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais e aqueles que desistiram de buscar emprego, a taxa de desocupação sobe a 24% no trimestre encerrado em setembro, um recuo de 0,3 ponto percentual em relação a agosto, mas estatisticamente estável frente ao mesmo período de 2018.

Isso significa que ainda falta trabalho para 27,5 milhões de brasileiros–1 milhão a menos que três meses atrás, mas 300 mil pessoas a mais que há um ano.

 Entre os subutilizados, o IBGE aponta que:

  • 12,5 milhões estão desempregados
  • 4,7 milhões são desalentados (desistiram de procurar emprego)
  • 7 milhões trabalham menos horas do que gostariam
  • 3,1 milhões fazem parte da força de trabalho potencial (estão disponíveis, mas não podem assumir uma vaga por algum motivo, como não ter experiência ou ser muito jovem ou idoso )

A pesquisadora do IBGE destacou que, na comparação com o trimestre anterior, diminuiu em 300 mil o número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas. “A gente não assistia a esse movimento de queda desde o primeiro trimestre de 2018. Não sabemos se isso é uma inflexão, ou apenas uma queda eventual, sem iniciar uma tendência de queda”, disse.

Questionada sobre que movimento pode ter provocado a queda desse contingente subocupado, Adriana disse que somente a divulgação trimestral da PNAD, que tem dados mais detalhados sobre o mercado de trabalho, permitirá fazer essa análise.

A Pnad Contínua também mostra uma redução de 3,6% na população desalentada, com menos 174 mil pessoas nessa categoria, ainda chegando a 4,7 milhões.

*Com G1

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