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Puxado por agronegócio, serviços e consumo, PIB acelera no 3º trimestre e sobe 0,6%

Crescimento, que foi divulgado pelo IBGE nesta terça (3), ficou acima das previsões dos analistas (0,4%); a alta da economia em 2018 foi revisada de 1,1% para 1,3%

Bárbara Leite

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Agronegócio teve a a maior alta do PIB de julho a setembro: 1,3% –Foto: Divulgação

O Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) do Brasil subiu 0,6% no terceiro trimestre de 2019, acelerando frente ao trimestre anterior, quando avançou 0,5% (dado revisado).

Os números do IBGE, divulgados nesta terça (3), mostram que o crescimento da economia foi puxado pela agropecuária, que subiu 1,3%, e pelo consumo das famílias, que beneficiado pela redução dos juros e o impulso do crédito, avançou 0,8%. A liberação dos saques de até R$ 500 no FGTS e a Semana do Brasil também ajudaram a impulsionar os gastos das famílias no terceiro trimestre.

O crescimento ficou acima das previsões dos analistas, que estimavam que alta de 0,4% de julho a setembro.

De acordo com o instituto, o maior impacto no PIB veio dos serviços, que têm o maior peso nas contas nacionais (60%), com avanço de 0,4%. A indústria, com alta de 0,8%, também contribuiu para a melhora da economia.

Leia também: Após varejo, serviços também batem projeções e têm melhor julho em 8 anos

Na comparação com o terceiro trimestre de 2018, o aumento da economia brasileira foi de 1,2%, a 11ª alta consecutiva. No acumulado do ano, o crescimento atinge 1%. Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre de 2019 totalizou R$ 1,84 trilhão.

Principais geradores de riqueza do país (variação no 3º trimestre de 2019 ante o trimestre anterior)
Agronegócio1,3%
Indústria0,8%
Serviços0,4%
Consumo0,8%
Gastos do governo-0,4%
FBCF (investimentos)2%
Exportações-2,8%
Importações2,9%

Fonte: IBGE

Investimentos e exportações

Outro destaque positivo no terceiro trimestre foi a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos e teve alta de 2%.

O desempenho dos investimentos foi puxado pelo setor privado, sobretudo pela construção e pela produção de bens de capital. Os investimentos do governo, por outro lado, caíram 1,4% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e 0,4% na comparação com o trimestre anterior.

Já as despesas de consumo do governo recuaram em 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Afetadas pela guerra comercial entre EUA e China e a crise na Argentina, as exportações de bens e serviços retraíram 2,8% no terceiro trimestre. As importações de bens e serviços cresceram 2,9% em relação ao segundo trimestre de 2019.

Indústria: construção puxa alta

O crescimento na indústria se deve à expansão de 12% no setor extrativo, puxado pelo crescimento da extração de petróleo, e de 1,3% na construção.

Já a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos recuou 0,9%, enquanto a indústria de transformação caiu 1%.

Serviços: atividades financeiras em destaque

Nos serviços, os resultados positivos foram das atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,2%), comércio (1,1%), informação e comunicação (1,1%), atividades imobiliárias (0,3%) e outras atividades de serviços (0,1%).

Apresentaram recuo as atividades de transporte, armazenagem e correio (-0,1%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,6%).

“Na ótica da demanda, os investimentos vêm crescendo, puxado pela construção, que havia caído 20 trimestres consecutivos e desde o trimestre anterior mostra recuperação, quando comparado a igual período de 2018. O consumo das famílias também cresce, enquanto as despesas do governo – incluindo pessoal e demais gastos, exceto investimentos -, caem em todas as esferas em função das restrições orçamentárias”, analisa a coordenadora de Conta Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Ela ressalta também que, na ótica da produção, o que mais cresceu foi a construção; a extrativa mineral, puxada pela extração de petróleo; e informação e comunicação, com avanço de internet e desenvolvimento de sistemas.

“Já entre as atividades que caíram, o destaque é a indústria de transformação, afetada pela queda nas exportações em função da menor demanda mundial e a crise da Argentina”, analisa a coordenadora de Conta Nacionais do IBGE.

Revisão do PIB de 2018

O IBGE informou que revisou para cima o crescimento do país em 2018. Em vez dos anteriores 1,1%, a economia cresceu 1,3%.

O desempenho da agropecuária passou de 0,1% para crescimento de 1,4% no ano passado; a indústria cresceu menos do antes da revisão: 0,5% contra 0,6%. Já os serviços subiram mais do que anteriormente 1,5% ante 1,3%.

O consumo das famílias e do governo também tiveram aumento. No dado revisado, os gastos familiares avançaram 2,1% ante 1,9% antes; os do governo, passaram de estabilidade para alta de 0,4%. Os investimentos (de 4,1% para 3,9%), as exportações (de 4,1% para 4%) e as importações (8,5% para 8,3%) tiveram queda nos dados revisados de 2018.

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